Ratinho comenta polêmica com Erika Hilton e avisa: "Eu não vou mudar"

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Ratinho comenta polêmica com Erika Hilton e avisa: "Eu não vou mudar"
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Carlos Massa, o Ratinho, 70, se pronunciou em seu programa de segunda-feira, 16, no SBT sobre a polêmica em que se envolveu no último dia 11, quando comentou que a deputada federal Erika Hilton, 33, eleita para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara, "não é mulher". Rapidamente, internautas o acusaram de transfobia, discriminação voltada a pessoas trans, e o apresentador está sendo processado por Erika.

"Fui envolvido em um verdadeiro furacão depois de dar uma opinião aqui no programa. Centenas de pessoas fizeram comentários nas redes sociais ou em publicações. Quero agradecer a todos que me apoiaram, nem tive como acompanhar as milhares de mensagens, quase todas unânimes com comentários favoráveis. Muita gente, muita gente mesmo concordou comigo", iniciou.

"De todos os defeitos que eu tenho, e eu tenho muitos, o que mais incomoda as pessoas é a minha sinceridade, desde que comecei na televisão. Eu não sou garoto de internet, quando eu comecei na TV e no rádio não tinha internet. É o meu jeito direto e reto de falar as coisas e, nos tempos atuais, quem fala a verdade pode ser vítima de patrulhamento e lacração, que naquele tempo não tinha", explica.

Ratinho afirma que pretende continuar assim. "Quem gosta de mim vai continuar gostando, quem não gosta vai continuar não gostando. Eu não vou mudar meu jeito de ser para agradar quem quer que seja. Fica o recado. Eu não vou mudar", finalizou.

Na última sexta-feira, 13, ele já tinha usado as redes sociais para falar sobre o assunto. "Defendo a população trans, mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio. Convido jornalistas, comentaristas, apresentadores: falem. Publiquem. Não fiquem em silêncio. Porque silêncio é conivência", disse.

Na noite da última quarta-feira, 11, durante o "Programa do Ratinho", o apresentador comentou sobre a eleição de Erika Hilton à presidência da Comissão da Mulher na Câmara e disse que a deputada "não é mulher". Rapidamente, internautas o acusaram de transfobia, discriminação voltada a pessoas trans.

"Não achei isso justo. Tantas mulheres, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres... mulher mesmo", disse o apresentador. "Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher."

Erika Hilton afirmou, nas redes sociais, que entrou com um processo contra Ratinho. "Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim", começou ela, em texto.

A política pediu na quinta-feira, 12, para o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP (Ministério Público de São Paulo) investigar o apresentador. O processo foi apresentado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão Enrico Rodrigues de Freitas e teve origem em uma representação enviada ao MPF pela própria Erika Hilton.

Segundo o MPF, esse tipo de declaração configura discurso discriminatório e pode contribuir para desumanizar e deslegitimar a identidade de pessoas trans. Na ação, o órgão afirma que as falas apresentadas no programa representam uma forma de violência simbólica contra a comunidade LGBTQIA+, pois reduzem a identidade feminina apenas a características biológicas.

A CNN Brasil conversou com Yuri Carneiro Coelho, doutor em Direito, especialista e professor em Direito Penal, que explicou que "a injúria homofóbica ou transfóbica se caracteriza pela utilização de palavras, escritos ou gestos preconceituosos que ofendem a honra subjetiva do ofendido, independente de sua orientação sexual, tendo sido este o entendimento do STJ (Superior Tribunal de Justiça)".

No caso do apresentador, Coelho disse que a pena pode chegar a cinco anos, sendo possível de ser cumprida em regime aberto ou substituída por penas restritivas de direitos.

Fonte: CNN Brasil

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