A blogueira Rayane Figliuzzi foi presa na manhã desta segunda-feira, 14, por estelionato, suspeita de integrar uma quadrilha responsável por aplicar o “golpe do motoboy” em vítimas de Florianópolis e Balneário Camboriú – também há casos em São Paulo e no Paraná.
Ela foi encontrada em Areal, na Região Serrana do Rio, após meses foragida. A prisão foi efetuada pela Polícia Militar de Três Rios. A blogueira conta com mais de 80 mil seguidores nas redes sociais.
Em linhas gerais, o golpe funcionava da seguinte forma: sete mulheres se passavam por telefonistas de banco. Elas anunciam às vítimas que o cartão foi clonado e anotavam a senha. O contato era feito por meio de uma “sede” no Rio de Janeiro.
Depois, pessoas designadas como “coletores de cartão” (os motoboys) recolhiam os cartões na casa das vítimas – geralmente idosos. Duas pessoas atuavam nesta função. O grupo se autodenominava “Família Errejota”.
O saldo das vítimas era então repassado para a conta dos criminosos por meio de máquinas de cartão –uma delas tinha o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) da blogueira. Ela é esposa do chefe do esquema,Alexandre Navarro Júnior, e usufruía do valor roubado em viagens e compras, detalha a Polícia Civil.
Assim como a blogueira, outros três suspeitos eram proprietários das máquinas utilizadas no crime. Dentre elas Yasmin Navarro, irmã de Alexandre.
Rede criminosa
Mais de 10 pessoas foram identificadas como vítimas do golpe no fim de 2020 nos dois municípios (Florianópolis e Balneário Camboriú), de acordo com delegado Attilio Guaspari Filho, da 5ª DP (Delegacia de Polícia da Capital), responsável pelas investigações. Em apenas uma conta, Navarro movimentou mais de dois milhões de reais em apenas dois meses.
Quanto aos criminosos, 14 pessoas são apontadas como integrantes da quadrilha: quatro homens e dez mulheres. Até esta segunda-feira, apenas duas foram presas. As demais, incluindo Alexandre Navarro, permanecem foragidas em “locais incertos”.
Além de Rayane Figliuzi, um motoboy – coletor de cartão – foi capturado pela polícia. Ele foi preso em dezembro de 2020, dando início ao inquérito policial. O suspeito foi encontrado em um edifício de luxo em Florianópolis.
“Após meses de investigação, foi possível qualificar os principais membros e representar pelas respectivas prisões preventivas, bloqueio de ativos financeiros e outras medidas cautelares, que foram deferidas pelo Poder Judiciário”, detalha Guaspari.
O Ministério Público de Santa Catarina apresentou denúncia contra os envolvidos. O caso tramita na Justiça. A reportagem não conseguiu localizar o advogado da suspeita.
Fonte: Portal Peperi
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