Após mais de 20 anos, o grupo de suinocultores decidiu abandonar a produção de bioenergia em Itapiranga. O alto custo de produção e o barateamento da energia elétrica ao longo dos anos foram motivos cruciais para o projeto não ter o andamento esperado. As primeiras reuniões para a implantação da usina de biogás foram realizadas em 2004, com início das obras em 2013.
Em reunião na semana passada com a direção e o engenheiro idealizador do projeto, o grupo de suinocultores iniciou a busca por novas alternativas. Conforme o Presidente da Associação de Bioenergia de Itapiranga, Vito Sausen, a purificação do gás se tornou inviável, pelo alto custo de carvão nos filtros de ar. A produção de energia atingia somente 10% dos custos para manter a operação.
Outro ponto importante é que a doação da subestação ainda não foi formalizada aos produtores. O tema já foi aprovado pela Associação Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e publicado no Diário Oficial da União, porém não foi repassado oficialmente pela dona da estrutura.
“Segundo o diário oficial do mês de janeiro, ela foi já doada, mas nós não temos oficialmente, não foi assinado o termo de doação” explica.
A AXIA Energia, nova marca da ex-estatal Eletrobras, não possui interesse em produzir energia em pequenas quantidades. No início do ano houve a decisão de se desfazer desta estrutura na comunidade de Santa Fé Baixa, no interior de Itapiranga.
Segundo o Presidente da Associação de Bioenergia, Vito Sausen, o grupo ainda aguarda o departamento jurídico repassar a central e os gasodutos para a entidade. A partir daí novos projetos podem ser analisados, com investimento total dos suinocultores.
“A produção de gás para automóveis é a alternativa mais viável no momento” afirma Sausen. FIESC e EMBRAPA possuem projetos de linhas verdes em postos de combustíveis, com energias renováveis. Os produtores possuem uma reunião marcada para o mês de agosto com responsáveis técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária para análise do projeto. De acordo com Vito Sausen, a hipótese mais provável é de investir novamente na subestação, iniciando a produção de gás metano, para ser utilizado nos veículos.
O Plano de Sustentabilidade da FIESC contempla um corredor verde de postos de combustíveis em Santa Catarina, passando por todo o Estado. O SC Gás, possui ligações somente até Lages. Para o Oeste, existe a necessidade de parcerias para implementação do programa. O grupo de suinocultores avalia partir para este plano, produzindo gás automotivo.
O projeto da Eletrobras e Eletrosul tinha por objetivo utilizar dejetos de suínos na matriz energética. Com investimento inicial de R$ 10 milhões, a iniciativa ganhou valores maiores e já teve avaliação superior a R$ 13 milhões. A proposta inicial era para implantação de um gasoduto com 11 quilômetros para o biogás canalizado, uma minicentral termoelétrica, uma subestação para conexão à rede de distribuição primária da concessionária local, além de 11 biodigestores com diferentes tecnologias. A meta era de desenvolvimento sustentável na geração de energia a partir do biogás. O interesse foi reduzido após a privatização da empresa.
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