O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Santiago, capital do Chile, para participar de um evento em defesa da democracia e do multilateralismo. O encontro, organizado pelo presidente chileno, Gabriel Boric, estava previsto desde fevereiro e ocorre em meio ao tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil.
Intitulado “Democracia Sempre”, o fórum vai reunir também os presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi; da Espanha, Pedro Sánchez; e da Colômbia, Gustavo Petro. Além de alinhados ideologicamente, os líderes de esquerda são aliados políticos.
Como apurou o R7 com fontes do governo brasileiro, os presidentes devem discutir, ao longo do encontro, a tarifa de 50% sancionada por Trump.
‘Democracia Sempre’
O foco do evento é debater o fortalecimento da democracia e da cooperação internacional; a redução das desigualdades; o combate à desinformação; e a regulamentação das tecnologias emergentes.
A reunião foi marcada pelos líderes em fevereiro deste ano, durante videoconferência, quando foram discutidas ações conjuntas em defesa da democracia e para fortalecimento do multilateralismo.
O encontro virtual abordou, ainda, diretrizes compartilhadas de enfrentamento à polarização política e às informações falsas.
Tarifaço de Trump
Em 9 de julho, Donald Trump anunciou que vai cobrar 50% de todos os itens do Brasil comprados pelos EUA a partir de 1º de agosto.
Segundo o republicano, a medida é uma resposta direta a supostos ataques do Brasil à liberdade de expressão de empresas norte-americanas e à forma como o país tem tratado o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além de inelegível até 2030, o ex-presidente é réu no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito.
Para o líder norte-americano, o julgamento e as investigações que envolvem o ex-presidente brasileiro configurariam uma “caça às bruxas” que deveria “terminar imediatamente”.
Desde a última sexta-feira (18), Bolsonaro usa tornozeleira eletrônica e está com acesso proibido às redes sociais. As medidas foram decretadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Além disso, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente em Brasília.
Na decisão, Moraes afirmou que o ex-presidente “confessa”, de forma “consciente e voluntária”, a prática de atuação criminosa na extorsão contra a Justiça brasileira, ao condicionar o fim do tarifaço de Trump à própria anistia.
“Não há, portanto, qualquer dúvida sobre a materialidade e autoria dos delitos praticados por Jair Bolsonaro, onde pretende, tanto por declarações e publicações, quanto por meio de induzimento, instigação e auxílio — inclusive financeiro a Eduardo Bolsonaro, o espúrio [ilegitimo] término da análise de sua responsabilidade penal, seja por meio de uma inexistente possibilidade de arquivamento sumário, seja pela aprovação de uma inconstitucional anistia”, escreveu o ministro.
Fonte: Portal Peperi
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