Um caminhoneiro gravou um vídeo minutos após ficar soterrado durante um deslizamento que ocorreu na BR-376, rodovia que liga SC e PR. O acidente aconteceu Km 669 da rodovia federal e, apesar do susto, José Altair Biscaia, 43 anos, não se feriu gravemente.
Ainda preso no caminhão, o motorista gravou um vídeo bastante emocionado em que relata estar sentindo dores pelo corpo e dificuldade em respirar, no entanto, agradeceu por estar vivo. Nas imagens, o homem aparece com a cabeça machucada e é possível ver o veículo da vítima rodeado por terra.
— Olha aí como ficou o caminhão, mas tô vivo, graças a Deus. Tô no meio da terra, só no cantinho que sobrou do caminhão aqui, ó. Tô todo cheio de cortes, mas tô vivo, graças a Deus. Deus quis que eu vivesse — diz.
Altair foi resgatado na madrugada de terça-feira (29), horas após o deslizamento de terra que soterrou ao menos 20 veículos e matou ao menos duas pessoas. O veículo onde o homem estava caiu na ribanceira com a força do desmoronamento.
O AN procurou o Hospital São José de Joinville, para onde Altair foi levado. A unidade hospitalar informou que o caminhoneiro recebeu alta ainda na manhã de terça e ficou aos cuidados da empresa que trabalha.
Resgate complexo, diz bombeiro
Arnoldo Boege Junior, um dos bombeiros de Joinville que atuou no resgate de Altair, conta que a equipe, formada por quatro socorristas, um médico e um engenheiro de segurança, se deslocou para o local onde ocorreu o deslizamento por volta das 22h.
Ele conta que a equipe adentrou a chamada "zona quente" - onde ocorreu o deslizamento - e começaram as buscas por possíveis vítimas sobreviventes, como manda o protocolo.
— Fomos descendo devagar, cuidando com sedimento, e berrando: "Bombeiros, alguém vivo? Se estiver, grita, faz sinal e bate". E em determinado momento ouvimos um batido. Ele [Aldair] usou o celular pra bater na lataria do caminhão. Ouvimos isso e paramos de imediato, foi silêncio absoluto — lembra o socorrista.
O bombeiro ainda diz que o barulho da chuva torrencial que caía no momento somado ao som de um rio que passa abaixo do local do deslizamento dificultaram a ação, e pediram que o caminhoneiro continuasse a bater na cabine, até que fosse localizado.
— Fomos ouvindo o sinal sonoro e o localizamos. Ele falou que estava bem. Chamamos uma equipe de apoio e, enquanto isso, fomos cavando e acessamos ele. A vítima foi andando mesmo pra cima, até porque levar equipamento lá pra baixo seria perigoso. Sou bombeiro há 27 anos e, nessa característica, tipo de atendimento e cenário, foi o resgate mais complexo que já participei — completa.
Fonte: Portal Peperi
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