Pais questionam possível redução de turmas na Escola Marechal; Educação explica situação

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Pais questionam possível redução de turmas na Escola Marechal; Educação explica situação

A possibilidade de reorganização de turmas na Escola Municipal Marechal Arthur da Costa e Silva, no bairro Salete, em São Miguel do Oeste, tem provocado preocupação entre famílias de estudantes que frequentam a unidade. O assunto foi abordado em entrevistas à Peperi nesta quarta-feira, 28, com a participação de uma mãe de aluna e da secretária municipal de Educação, Adriana Pian. A situação também motivou a aprovação de uma moção de apelo pela Câmara de Vereadores.

A moradora Maria de Castro, mãe de uma estudante da escola, procurou a reportagem para manifestar preocupação com a possibilidade de fechamento de uma turma para o ano letivo de 2027. Segundo ela, a redução no número de salas destinadas aos anos finais do ensino fundamental poderá prejudicar a permanência de alunos na instituição e comprometer as condições de aprendizagem.

Maria relatou que a reorganização das turmas não é uma situação recente e que mudanças semelhantes vêm sendo registradas desde 2015. Conforme a moradora, uma turma já teria sido encerrada anteriormente, e as famílias foram surpreendidas nesta semana com a informação de que outra poderá deixar de funcionar no próximo ano.

Uma das principais preocupações apresentadas pela mãe é a possibilidade de duas turmas que atualmente frequentam o sétimo ano serem reunidas em uma única turma de oitavo ano em 2027. Segundo Maria, essa mudança poderia resultar em uma sala com aproximadamente 49 estudantes.

Ela questiona como seria desenvolvido o trabalho pedagógico diante dessa quantidade de alunos, especialmente considerando que alguns necessitam de acompanhamento diferenciado durante as atividades escolares.

Maria também relatou que sua filha, que possui necessidades educacionais específicas, frequenta a instituição desde a pré-escola. Segundo a mãe, a possibilidade de mudança de turma ou de escola tem provocado insegurança na estudante.

Outro ponto questionado pela moradora envolve a estrutura física da unidade. Ela afirma que existem salas que não estariam sendo utilizadas e considera que esses espaços poderiam permitir a manutenção das turmas.

A mãe também manifestou preocupação com a distribuição das vagas entre a educação infantil e os anos finais do ensino fundamental. Na avaliação dela, a reorganização pode acabar dificultando a permanência de estudantes que frequentam a escola há vários anos e residem nas proximidades.

Durante a entrevista, Maria informou ainda que sua filha recebeu um documento relacionado às matrículas para 2027, no qual os responsáveis são consultados sobre o interesse em uma possível mudança para o turno vespertino. O formulário, conforme o relato, esclarece que as alterações dependem da disponibilidade de vagas.

A moradora defendeu o direito de acesso e permanência na escola, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e solicitou que a administração municipal reavalie a situação.

Secretaria explica necessidade de reorganização das turmas

Procurada pela reportagem da Peperi, a secretária municipal de Educação, Adriana Pian, apresentou esclarecimentos sobre a organização do atendimento na Escola Marechal Arthur da Costa e Silva.

Segundo ela, a unidade atende atualmente 484 estudantes, distribuídos em 24 turmas, desde a educação infantil, no pré-4, até o nono ano do ensino fundamental.

Adriana destacou que a escola é bastante procurada pelas famílias, tanto pela qualidade do ensino quanto pela localização. A secretária também ressaltou as atividades complementares oferecidas pela instituição, como laboratório maker, cooperativa escolar, apoio pedagógico para estudantes do primeiro ao quinto ano e ações de recomposição da aprendizagem no contraturno, destinadas aos alunos do sexto ao nono ano.

A responsável pela pasta reconheceu o vínculo das famílias com a unidade e afirmou compreender a preocupação dos pais em relação à permanência dos filhos na escola.

Entretanto, explicou que a maior demanda por vagas na rede municipal está concentrada na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Por esse motivo, a distribuição das turmas precisa considerar as necessidades de atendimento dessas etapas.

De acordo com Adriana, a organização também deve observar critérios pedagógicos e legais. Ela citou parâmetros do Conselho Nacional de Educação que indicam a proporção de até 20 crianças por educador na pré-escola, para a faixa etária de quatro e cinco anos. Para os anos finais do ensino fundamental, mencionou parâmetros que permitem turmas de até 35 estudantes, respeitadas as condições físicas e pedagógicas.

A secretária informou que a Escola Marechal possui atualmente três turmas de pré-4, com aproximadamente 20 crianças em cada uma.

Para 2027, entretanto, a administração precisa considerar o ingresso de novos estudantes. Conforme Adriana, somente em uma creche próxima existem duas turmas de infantil 3, totalizando 36 crianças que deverão avançar para o pré-4 no próximo ano.

Além dessa demanda, a escola também recebe estudantes de comunidades do interior, o que amplia a necessidade de planejamento das vagas.

Município destaca responsabilidades da rede de ensino

Durante a entrevista, Adriana explicou que a educação infantil pública em São Miguel do Oeste é ofertada exclusivamente pela rede municipal. Já os anos finais do ensino fundamental também contam com atendimento da rede estadual.

Conforme a secretária, essa diferença precisa ser considerada na organização das escolas, uma vez que o município deve priorizar a garantia de vagas na educação infantil e nos anos iniciais, etapas sob sua responsabilidade prioritária.

Adriana também mencionou que a rede estadual vem reduzindo gradualmente a oferta dos anos iniciais e concentrando o atendimento nos anos finais do ensino fundamental.

A secretária explicou que a Escola Marechal já passou por uma reorganização semelhante anteriormente. Neste ano, a unidade possui uma turma de oitavo ano no período vespertino e uma de nono ano no período matutino.

Segundo ela, a definição dos turnos faz parte do planejamento para utilizar os espaços existentes e atender às diferentes etapas de ensino.

Secretaria afirma que não existem salas disponíveis

Um dos principais pontos de divergência entre as famílias e a administração municipal envolve a disponibilidade de salas de aula.

Enquanto Maria de Castro afirma que existem espaços sem utilização na escola, a secretária Adriana Pian declarou que uma equipe pedagógica da Secretaria de Educação esteve na instituição nesta semana e constatou que não há salas disponíveis para ampliar o número de turmas.

Conforme a secretária, a vistoria ocorreu na segunda-feira, 26, e confirmou as limitações da estrutura atual.

Adriana informou ainda que a Secretaria de Educação, em conjunto com a Secretaria de Planejamento, está estudando alternativas para ampliar a estrutura física da escola.

Entretanto, explicou que uma eventual ampliação depende da elaboração de projetos, disponibilidade de recursos financeiros e cumprimento dos procedimentos legais, o que impede uma solução imediata.

A secretária ressaltou que a reorganização não está relacionada à redução de investimentos ou à falta de reconhecimento da qualidade do trabalho desenvolvido pela instituição.

Segundo ela, a medida busca distribuir os espaços existentes de maneira adequada, considerando principalmente a demanda crescente por vagas na educação infantil e nos anos iniciais.

Rede estadual é apontada como alternativa

Em relação às famílias que eventualmente não conseguirem atendimento no turno desejado, a secretária apresentou alternativas disponíveis na rede estadual de ensino.

Conforme Adriana, após contato com a Coordenadoria Regional de Educação, o município recebeu a informação de que a Escola de Educação Básica São João Batista oferece turmas de oitavo ano no período vespertino.

Já o Colégio São Miguel, localizado na região central da cidade, disponibiliza atendimento para o oitavo ano nos períodos matutino e vespertino.

A secretária também destacou que o município oferece transporte escolar para estudantes que frequentam essas instituições.

Segundo ela, atualmente existem alunos que utilizam um ônibus com embarque em frente à Escola Marechal para chegar às escolas estaduais e retornam ao mesmo local ao término das aulas.

Adriana afirmou que a Secretaria continuará acompanhando o processo de matrículas, mantendo diálogo com a rede estadual e avaliando alternativas para garantir o atendimento aos estudantes.

Sobre a preocupação apresentada pela mãe em relação à possibilidade de uma turma com 49 alunos, a secretária citou o parâmetro de até 35 estudantes para os anos finais, mas não detalhou, durante a entrevista, a composição definitiva das turmas para 2027.

Câmara aprova moção pela manutenção das turmas

A situação também foi discutida pela Câmara de Vereadores de São Miguel do Oeste durante a sessão desta terça-feira, 27.

Na oportunidade, os parlamentares aprovaram, por maioria, uma moção de apelo apresentada pelo vereador Adilson Neri Pandolfo, do PT, solicitando ao prefeito e à secretária municipal de Educação a manutenção das turmas e vagas atualmente existentes na Escola Marechal Arthur da Costa e Silva.

No documento, o vereador manifesta preocupação com a possibilidade de fechamento de turmas em 2027 e com eventuais impactos na oferta de vagas e nas condições de aprendizagem dos estudantes.

A proposição também destaca as dificuldades que uma reorganização pode provocar na rotina das famílias, principalmente daquelas que dependem de atendimento escolar próximo de suas residências ou locais de trabalho.

Conforme a justificativa, o planejamento da rede municipal deve considerar, além dos aspectos administrativos e financeiros, a demanda da comunidade, a capacidade de atendimento e a qualidade do ensino.

A moção recebeu votos favoráveis dos vereadores Adilson Pandolfo, Bufo, Cris Zanatta, Paulo Henrique Couto e Vivi De Carli.

Votaram contrariamente De March, Delegado Zancanaro, Gilberto Berté e Ravier Centenaro. A vereadora Sisse Velozo se absteve.

A aprovação representa um pedido formal do Legislativo para que o Executivo reavalie a situação, mas não determina, por si só, a manutenção das turmas.

Secretaria acompanha matrículas para 2027

Ao encerrar a entrevista à Peperi, Adriana Pian reforçou que a Secretaria Municipal de Educação continuará acompanhando a organização das vagas e buscando alternativas para atender os estudantes.

A secretária afirmou que a preocupação da administração é assegurar o direito à educação, considerando as necessidades das diferentes faixas etárias.

"Não se trata de escolher entre os alunos maiores ou menores", destacou, ao explicar que o planejamento precisa garantir atendimento adequado para todas as etapas.

Adriana também lembrou que o edital de matrículas para o próximo ano letivo foi divulgado nesta segunda-feira, 26. Segundo ela, as famílias devem acompanhar as orientações disponibilizadas pela Prefeitura e pelas próprias escolas para não perder os prazos estabelecidos.

A discussão permanece em torno da manutenção das turmas, da disponibilidade de espaços físicos e da distribuição de vagas para 2027. Enquanto as famílias solicitam a preservação do atendimento atual, a Secretaria de Educação sustenta que a reorganização é necessária para atender à demanda da rede municipal.

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