O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adotar uma postura cautelosa no encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira, 7. A ideia é evitar temas espinhosos para reduzir o risco de tensão pública entre os dois chefes de Estado.
A avaliação da diplomacia é de que o objetivo central é garantir uma reunião sem sobressaltos, sem declarações inesperadas e com ambiente controlado.
O encontro ocorre em um momento delicado para o governo brasileiro, após derrotas recentes no Senado e dificuldades para avançar na recuperação da popularidade.
Nesse cenário, o Planalto busca priorizar um encontro institucional sem atritos públicos, mesmo sem expectativa de avanços concretos.
Antes da agenda, houve articulação diplomática para reduzir incertezas. O chanceler Mauro Vieira manteve conversas com o secretário de Estado Marco Rubio, além de tratativas em nível técnico para alinhar expectativas e mapear pontos de tensão.
No governo, a avaliação é de que Lula deve conduzir a conversa de forma a sentir o ambiente e calibrar, ao longo do encontro, quais temas devem ser aprofundados ou deixados em segundo plano.
Entre os temas mais sensíveis está a investigação aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301, que pode resultar na imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Internamente, diplomatas já trabalham com a previsão de um relatório final para junho.
Uma das prioridades do governo brasileiro será tratar do debate sobre a classificação de organizações criminosas como terroristas. O Brasil deve aproveitar o encontro para verbalizar o incômodo com esse tipo de enquadramento.
Por outro lado, há temas com menor potencial de ruídos, como a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU. Os Estados Unidos estão entre os países com poder de veto no processo, o que torna o diálogo relevante.
Outros assuntos, como minerais críticos, incluindo terras raras, além de conflitos internacionais, também devem integrar a agenda da reunião.
Na avaliação de interlocutores, o encontro deve servir mais para administrar divergências do que para produzir avanços concretos. Ainda assim, a imagem de Lula ao lado de Trump é vista no Planalto como um ativo político no atual contexto.
Fonte: CNN Brasil
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