Lula pode evitar temas espinhosos para não tensionar encontro com Trump

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

Compartilhar
Lula pode evitar temas espinhosos para não tensionar encontro com Trump
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adotar uma postura cautelosa no encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira, 7. A ideia é evitar temas espinhosos para reduzir o risco de tensão pública entre os dois chefes de Estado.

A avaliação da diplomacia é de que o objetivo central é garantir uma reunião sem sobressaltos, sem declarações inesperadas e com ambiente controlado.

O encontro ocorre em um momento delicado para o governo brasileiro, após derrotas recentes no Senado e dificuldades para avançar na recuperação da popularidade.

Nesse cenário, o Planalto busca priorizar um encontro institucional sem atritos públicos, mesmo sem expectativa de avanços concretos.

Antes da agenda, houve articulação diplomática para reduzir incertezas. O chanceler Mauro Vieira manteve conversas com o secretário de Estado Marco Rubio, além de tratativas em nível técnico para alinhar expectativas e mapear pontos de tensão.

No governo, a avaliação é de que Lula deve conduzir a conversa de forma a sentir o ambiente e calibrar, ao longo do encontro, quais temas devem ser aprofundados ou deixados em segundo plano.

Entre os temas mais sensíveis está a investigação aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301, que pode resultar na imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Internamente, diplomatas já trabalham com a previsão de um relatório final para junho.

Uma das prioridades do governo brasileiro será tratar do debate sobre a classificação de organizações criminosas como terroristas. O Brasil deve aproveitar o encontro para verbalizar o incômodo com esse tipo de enquadramento.

Por outro lado, há temas com menor potencial de ruídos, como a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU. Os Estados Unidos estão entre os países com poder de veto no processo, o que torna o diálogo relevante.

Outros assuntos, como minerais críticos, incluindo terras raras, além de conflitos internacionais, também devem integrar a agenda da reunião.

Na avaliação de interlocutores, o encontro deve servir mais para administrar divergências do que para produzir avanços concretos. Ainda assim, a imagem de Lula ao lado de Trump é vista no Planalto como um ativo político no atual contexto.

Fonte: CNN Brasil

Fique por dentro das últimas novidades do Portal Peperi