Um bebê de 2 meses morreu após ter uma parada cardiorrespiratória e a mãe e a babá foram detidas após suspeita de maus-tratos, informou a Polícia Militar. As autoridades começaram a desconfiar após a cuidadora rir durante a ligação que fez ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) avisando sobre o estado de saúde da criança.
O caso foi registrado na madrugada desta terça-feira, 5, em São João Batista, na Grande Florianópolis. O g1 não conseguiu contato com a delegacia para saber se a mãe e a babá foram presas.
O Conselho Tutelar disse à PM que foi chamado pelo hospital, já que a criança foi levada sozinha à unidade. E declarou que, ao verificar o endereço da residência, constatou que já houve registros anteriores de possíveis violações e que, no local, a babá presta atendimento a outras crianças.
Mãe e babá apresentaram frieza diante da situação do bebê
A PM foi chamada pelo SAMU ao Hospital Monsenhor José Locks por volta de 5h50.
Os socorristas relataram aos policiais que receberam uma ligação perto de 3h50 em que uma mulher disse que um bebê estava em parada cardiorrespiratória. Porém, o SAMU acreditou que se tratava de um trote, já que ela apresentava comportamento inadequado, com risadas.
Depois, foi feita nova ligação e a equipe pediu para fazer uma chamada de vídeo. Com isso, constatou que realmente a criança estava em parada cardiorrespiratória.
Diante disso, o SAMU instruiu a mulher a fazer manobras de reanimação. A equipe estimou que a criança estivesse em parada cardiorrespiratória por 20 minutos antes da ligação.
Durante o atendimento, o SAMU percebeu uma falta de preocupação por parte dos responsáveis, que pareciam estar mais interessados em questões cotidianas, como o preparo do café e compromissos de trabalho.
A equipe também disse à polícia que a mãe não demonstrava interação com a criança. Além dela, a babá e outras pessoas presentes apresentavam um comportamento muito frio diante da situação. Somado a isso está o fato de que o hospital fica a cerca de cinco minutos da residência.
O SAMU foi até a casa, no bairro Ribanceira do Sul, e levou o bebê à unidade de saúde. Conforme relato do médico responsável, a criança deu entrada na unidade por volta das 5h15, já com manobras de reanimação em andamento feitas pelos socorristas.
Porém, a criança já estava com corpo frio e sem reação. Foram feitas mais manobras, por 45 minutos, mas sem sucesso. Como era impossível a reversão do quadro, a morte do bebê foi constatada às 5h30.
O médico relatou ainda que, durante a avaliação, foram observados sinais compatíveis com desnutrição.
Informou também que a criança apresentava fenda palatina, condição que pode provocar uma abertura vertical no céu da boca, no lábio superior e na base do nariz. Isso pode dificultar a alimentação e favorecer episódios de broncoaspiração, quando um conteúdo do estômago vai para as vias respiratórias.
Esta situação foi apontada como causa provável da situação que levou à morte da criança. Isso será confirmado por exame pericial.
O que disseram a mãe e a babá
De acordo com a PM, a mãe disse que estava trabalhando à noite e deixou o filho sob os cuidados da babá. Relatou que recebeu uma ligação dela por volta das 4h pedindo que fosse até o hospital e que só ficou sabendo da situação no local.
Já a babá disse à PM que acordou às 3h50 para alimentar o bebê e viu que ele já estava com corpo frio. Falou que ligou para a mãe da criança e para o SAMU, duas vezes. Disse que fez as manobras de reanimação até a chegada da equipe.
Fonte: G1 SC
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