Projeto Quebrando o Silêncio alerta para violência contra a pessoa idosa

Por Lucas Lôndero, São Miguel do Oeste

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Projeto Quebrando o Silêncio alerta para violência contra a pessoa idosa

O projeto Quebrando o Silêncio, promovido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, realiza ações voltadas à conscientização e prevenção da violência contra a pessoa idosa. A iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre os diferentes tipos de abuso e reforçar a importância de familiares, amigos e pessoas próximas estarem atentos aos sinais.

A campanha destaca que a violência contra o idoso não ocorre apenas por meio de agressões físicas. Também são consideradas formas de violência situações de abuso psicológico, negligência, abandono, violência financeira e patrimonial, discriminação em razão da idade e violência sexual.

Em entrevista, a psicóloga Alice Ana explicou que a violência psicológica pode ocorrer, por exemplo, quando o idoso é privado do convívio com outras pessoas ou perde a autonomia para tomar decisões sobre a própria vida. Essas situações podem provocar medo, ansiedade, culpa e sofrimento persistente.

Segundo a profissional, mudanças no comportamento podem servir como sinais de alerta. O idoso pode ficar mais reservado, isolado ou apresentar alterações bruscas de comportamento, especialmente quando está na presença de determinadas pessoas.

Dependência dificulta pedido de ajuda

Outro fator que pode contribuir para o silêncio das vítimas é a relação de dependência com quem pratica a violência.

De acordo com Alice, em muitos casos o agressor está no próprio círculo de convivência da pessoa idosa, podendo ser um familiar ou cuidador. A dependência emocional ou a necessidade de auxílio para questões de saúde e cuidados diários pode fazer com que a vítima tenha dificuldade para denunciar.

Por isso, a psicóloga reforça que a sociedade tem um papel importante na proteção da pessoa idosa e precisa estar preparada para perceber sinais de que algo não está bem.

Diferentes formas de violência

A advogada Sulani Serpa destaca que o Estatuto da Pessoa Idosa estabelece mecanismos de proteção e contempla diferentes formas de violência.

Além da agressão física, estão entre as situações de violência a psicológica, o abandono, a negligência, o abuso financeiro e patrimonial, a violência sexual e a discriminação pela idade.

A advogada ressalta ainda que nem sempre o próprio idoso consegue identificar ou denunciar a situação. Por isso, pessoas que convivem com ele precisam observar possíveis mudanças de comportamento e sinais de abandono ou abuso.

Conscientização como forma de prevenção

Segundo Sulani, o principal objetivo do projeto Quebrando o Silêncio é justamente “abrir os olhos da população” para situações que muitas vezes não são percebidas ou reconhecidas como violência.

A campanha reforça que a proteção da pessoa idosa não é responsabilidade apenas da vítima ou da família. A sociedade também pode contribuir ao identificar sinais de violência, oferecer apoio e buscar os canais adequados de ajuda e denúncia.

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