O tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump contra produtos brasileiros já impacta a indústria de Santa Catarina, especialmente o setor do mel. Uma empresa de Araranguá, no Sul, que ganhou uma medalha de ouro internacional pela qualidade do produto neste ano, teve embarques cancelados.
De acordo com Tarciano Santos da Silva, diretor da Apis Nativa, há 17 contêineres parados em portos. Do número, a empresa busca renegociar os preços dos produtos de 12 deles.
"Outros cinco contêineres já foram cancelados os embarques e prorrogados por tempo indeterminado", disse. Além dos contêineres que estão em renegociação, a empresa deixou de carregar outros vinte reservatórios.
"A nossa matéria-prima está chegando ao final. A gente vai ter umas duas, três semanas, no máximo, de produção. A partir disso, a gente vai focar na higienização completa da fábrica, depois na manutenção completa da fábrica, e parando isso a gente não sabe o que fazer", afirmou o diretor.
O mel da empresa teve a qualidade mundialmente reconhecida em abril, no Paris International Honey Awards 2025, que ocorre anualmente na França. Estreando no concurso, a empresa conquistou a medalha de ouro na categoria "qualidade" com o "Mel Sabor Suave", da linha Special Reserve Célio Silva.
Conforme o setor catarinense, mais de 80% da produção do estado vai para os Estados Unidos. Com as tarifas impostas, os empresários e produtores estão preocupados com os impactos. Diretor de outra empresa, em Içara, Guilherme Castagna precisou renegociar contratos para conseguir vender para fora do país.
Antes do tarifaço, estávamos vendendo em torno de R$ 3,50, R$ 3,70 o mel orgânico. E hoje, já estamos falando em R$ 3,40, R$ 3,30. E a cada contrato que a gente vai fechando, eles estão cada vez mais baixando", afirmou.
Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (ABEMEL), o Brasil figura atualmente entre os cinco maiores exportadores de mel do mundo, tendo os Estados Unidos como principal destino de suas exportações.
Nos últimos cinco anos, aproximadamente 76% das exportações brasileiras de mel foram direcionadas ao mercado norte-americano.
"Quando falamos em valores e no total de dólares exportados, estamos nos referindo a um aumento de 36%. Além do crescimento no volume, também conseguimos elevar o preço do nosso produto.", explica Renato Azevedo, presidente da ABEMEL.
Fonte: Portal Peperi
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