Os partidos União Brasil e Progressistas oficializaram, nesta terça-feira, 29, a criação da federação partidária União Progressista (UP), consolidando a maior força política do país em termos de representação legislativa, capilaridade municipal e acesso a recursos públicos.
O anúncio, realizado no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, coroou semanas de negociações e foi precedido, na véspera, pela aprovação formal da aliança por parte da executiva nacional do União Brasil, em reunião realizada na Câmara com a presença de lideranças como o presidente da sigla, Antônio Rueda, o ministro do Turismo Celso Sabino (PA) e o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do partido, ACM Neto. O PP já havia aprovado a federação há mais de um mês.
Segundo informações divulgadas pelo portal g1, a nova federação será presidida até dezembro por um sistema de rodízio entre os dois partidos, embora a ordem de comando ainda esteja em aberto. Um acordo inicial previa que o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, seria o primeiro a assumir a liderança da União Progressista.
No entanto, nos últimos dias, surgiram especulações de que Antônio Rueda poderia iniciar o rodízio, o que gerou desconforto nos bastidores. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, afirmou que a definição da ordem e da duração dos mandatos ainda está em discussão.
Números da União Progressista
- 109 deputados federais, formando a maior bancada da Câmara
- 14 senadores, empatando com PL e PSD no Senado
- 1.336 prefeitos em todo o Brasil, a maior base municipal do país
Seis governadores de Estado
- R$ 953,8 milhões em fundo eleitoral e R$ 197,6 milhões em fundo partidário, ambos os maiores volumes entre todas as siglas em 2024
- Com essas credenciais, a nova federação deverá ter papel central nas eleições de 2026 e poderá receber a maior fatia dos recursos públicos destinados às campanhas, podendo ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão em financiamento.
Registro
A federação será registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a aprovação de seu estatuto por convenções partidárias de cada legenda. O documento também definirá as regras internas de funcionamento, a divisão de comando e as instâncias de decisão — pontos ainda sensíveis entre as cúpulas.
As federações partidárias, previstas na legislação, exigem que os partidos aliados atuem de forma unificada por no mínimo quatro anos, tanto nas votações quanto nas disputas eleitorais. Isso inclui a definição conjunta de candidaturas em todas as esferas.
Apesar da participação de ambos os partidos no governo federal, com a chefia de ministérios como o do Turismo, a nova federação tende a se posicionar como um projeto político alternativo ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Questionado sobre um possível desembarque da Esplanada, ACM Neto afirmou que esse debate ainda não está em pauta, mas destacou que a União Progressista deve buscar uma identidade própria e autônoma.
Lideranças de outros partidos já se referem à nova aliança como uma "superfederação", com potencial de redesenhar o equilíbrio de forças nas eleições de 2026 e nas articulações do Congresso nos próximos anos.
Fonte: Portal Peperi
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