Um levantamento divulgado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que Santa Catarina duplicou o número de médicos nos últimos 14 anos. Em 2010, eram registrados 11.437 médicos, número que subiu para 24.754 em 2024 — significa que, a cada 1 mil habitantes, há três profissionais de saúde disponíveis. Os dados fazem parte do estudo Demografia Médica no Brasil, divulgado na terça-feira (15) em Brasília.
Os dados estaduais acompanham o resultado no país todo. Em 2010, o Brasil possuía 304 mil profissionais, número que aumentou para cerca de 576 mil, em 2024. Ainda de acordo com o estudo, nenhum estado possuiu uma queda no número de médicos registrados.
O levantamento do CFM apresenta índices de razão de médicos por mil habitantes, apontando a densidade da categoria na população. Santa Catarina apresentou uma densidade de 3,15 a cada mil habitantes, ficando acima da média nacional, que é de 3,07 profissionais a cada mil habitantes.
Essa distribuição também mostrou que a categoria está mais concentrada na Capital, sendo 5.823 médicos em Florianópolis, totalizando 24%. Os mais de 18 mil profissionais restantes estão distribuídos pelo interior do Estado.
“Em Santa Catarina possuímos médicos em todos os municípios. Mas a maior concentração é em Florianópolis, devido as condições estruturais, pois possuímos hospitais de referência que permitem a realização de residências em todas as especialidade”, afirmou o Conselho Regional de Medicina de SC, em nota.
Essa disparidade é vista em todo Brasil, quando estados economicamente mais desenvolvidos apresentam um número muito maior de médicos a cada mil habitantes, se comparados com a escassez em cidades do interior ou estados que não possuem tanto destaque econômico.
Por exemplo, o Distrito Federal conta com 6,3 médicos a cada mil habitantes, Rio de Janeiro com 4,3 a cada mil, São Paulo (3,7), Espírito Santo (3,6), Minas Gerais (3,5) e Rio Grande do Sul (3,4), sendo os estados com o maior índice de médicos. Por outro lado, o Amazonas, com média de 1,6 médico a cada mil habitantes, Amapá, com 1,5, Pará, com 1,4, e Maranhão, com 1,3, apresentam as menores razões de profissionais por mil habitantes,
“Apesar desse quadro mostrar o aumento significativo da presença dos profissionais no país, o CFM entende que se mantém o cenário de desigualdade na distribuição por conta da fragilidade de políticas públicas que estimulem a migração e fixação em áreas distantes ou de difícil provimento”, escreveu o CFM em nota.
O levantamento também mostrou que, no Brasil, as capitais concentram 23% da população do país, mas possuem quase o dobro (52%) de médicos. Já as cidades interioranas somam 77% da população do Brasil, porém dispõem de 48% dos médicos.
Formações sem critérios mínimos
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, levanta a preocupação sobre a criação de escolas médicas sem critérios técnicos mínimos.
— Os dados indicam que o estado conta hoje com mais médicos. Mas observamos a criação indiscriminada de escolas médicas no País, o que afeta a qualidade da formação dos estudantes de medicina. A qualidade da assistência não é apenas uma questão matemática, mas que exige planejamento e boa gestão. É preciso debater sobre isso com a administração pública e a sociedade — afirma.
Fonte: Portal Peperi
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