A área cultivada com trigo no Extremo Oeste de Santa Catarina deverá registrar uma redução entre 20% e 25% nesta safra, segundo levantamento preliminar da Epagri/Cepa. A informação é do assistente de Pesquisa e Mercado da Epagri/Cepa, Valmir Kretschmer.
De acordo com Kretschmer, parte das lavouras já foi implantada na região, enquanto muitos produtores aguardam a melhora das condições climáticas para dar sequência ao plantio nos próximos dias. A janela de cultivo segue aberta até o final de julho, variando conforme a localização e a altitude das propriedades rurais.
O principal destaque do levantamento é a expectativa de redução na área destinada ao trigo. Conforme o técnico, a decisão dos agricultores está relacionada a uma combinação de fatores econômicos e climáticos.
“Temos uma expectativa preliminar de diminuição entre 20% e 25% da área cultivada de trigo no Extremo Oeste. Os motivos são vários, principalmente a questão dos preços de mercado, o aumento dos custos dos insumos e a preocupação com o clima”, explicou.
Segundo ele, as previsões meteorológicas indicam a possibilidade de atuação do fenômeno El Niño nos próximos meses, com maior volume de chuvas entre setembro e novembro. O período coincide com a fase final de desenvolvimento da cultura, quando o excesso de umidade pode comprometer a qualidade dos grãos e reduzir a rentabilidade das lavouras.
A preocupação também já faz parte da rotina dos produtores. Conforme Kretschmer, muitos agricultores têm demonstrado cautela diante das projeções climáticas, embora parte deles tenha mantido o planejamento de cultivo.
Em algumas propriedades, existe inclusive a alternativa de destinar o trigo para a produção de silagem, caso as condições não favoreçam a colheita de grãos com qualidade comercial. O material poderá ser utilizado na alimentação de bovinos de leite e de corte.
A orientação da Epagri/Cepa é para que os produtores reforcem os cuidados com o manejo das lavouras, especialmente no controle de doenças e pragas, fatores que podem se intensificar em períodos mais úmidos.
Kretschmer também destaca que as possíveis chuvas acima da média preocupam não apenas a cadeia do trigo, mas todo o planejamento agrícola da região. O excesso de precipitações pode causar erosão do solo e dificultar a implantação das lavouras de verão, principalmente de milho para grãos e silagem.
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