O Governo de Santa Catarina realizou nesta segunda-feira, 23, o primeiro ato de mobilização do programa Catarinas por Elas, iniciativa que pretende chamar os homens à responsabilidade no enfrentamento da violência doméstica.
Idealizada pelo governador Jorginho Mello (PL), a proposta tem como objetivo um ponto central, a violência contra a mulher tem origem, majoritariamente, no comportamento masculino — e é preciso falar sobre isso sem rodeios.
“O problema está nos homens, não nas mulheres. Precisamos falar diretamente com eles. Queremos diminuir esse índice que é vergonhoso. Se a gente puder evitar uma tragédia, salvar uma vida, já faz toda a diferença”, afirmou o governador durante o evento.
O ato reuniu mais de mil servidores públicos homens e marcou uma nova etapa das ações institucionais sobre o tema. A campanha já havia alcançado milhões de pessoas por meio de peças publicitárias na TV, rádio e redes sociais. Agora, a meta é ampliar o debate e provocar mudança de comportamento.
O lutador Fabrício Werdum, que protagoniza as peças da campanha, participou do encontro e reforçou o recado. “Quando um homem se omite, ele também faz parte do problema. O silêncio nunca é uma opção”, disse.
Números ainda preocupam
Apesar de uma leve queda nos casos de feminicídio de 57 registros em 2022 para 52 em 2025 os dados ainda acendem alerta. Somente neste ano, já foram solicitadas 31.655 medidas protetivas de urgência em Santa Catarina.
Segundo dados oficiais, 94,5% das vítimas de violência doméstica são mulheres e 88% dos autores identificados são homens.
De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Emerson Fernandes, mais de 100 mil mulheres já foram atendidas pelo programa Catarinas por Elas e nenhuma delas foi vítima de feminicídio.
“Quando o Estado acompanha de perto e age de forma integrada, os resultados aparecem”, afirmou.
A mobilização começou dentro da própria estrutura do governo. A secretária de Estado de Governo, Danieli Pinheiro, explicou que a orientação foi iniciar o movimento com os próprios servidores.
“A conscientização das mulheres já acontece há anos. Agora queremos os homens engajados, com responsabilidade e coragem de denunciar”, disse.
Fonte: Portal Peperi
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