A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES) informou nesta segunda-feira, 8, que acompanha a decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan em todo o país. A medida foi adotada de forma preventiva para permitir a investigação de eventos graves, incluindo duas mortes, registrados após a vacinação.
Segundo o Ministério da Saúde, a suspensão ocorre após a notificação de três casos graves em investigação entre mais de 500 mil doses aplicadas desde o início da estratégia nacional de imunização, em 2026. Entre os casos analisados estão duas mortes registradas em São Paulo e um caso grave no Ceará. Até o momento, as autoridades de saúde afirmam que não foi estabelecida relação causal entre os eventos e a vacina.
Dados apresentados pelo governo federal apontam que foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos com manifestações clínicas compatíveis com dengue após a vacinação, o equivalente a 0,7% dos imunizados. Deste total, 42 casos apresentaram sinais de alerta, correspondendo a 0,008% dos vacinados.
Em nota, a SES destacou que a suspensão segue protocolos internacionais de segurança adotados em programas de imunização e reforçou que a investigação faz parte do monitoramento rotineiro realizado quando vacinas passam a ser aplicadas em larga escala.
“Quando uma vacina é utilizada por centenas de milhares de pessoas, é esperado que alguns eventos de saúde ocorram temporalmente após a aplicação. Por isso, todas as ocorrências são monitoradas e investigadas para determinar se existe ou não relação com o imunizante”, informou a secretaria.
SC distribuiu mais de 36 mil doses da vacina
Em Santa Catarina, foram distribuídas 36.560 doses da vacina do Butantan aos municípios para imunizar trabalhadores da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), os eventos supostamente atribuíveis à vacinação registrados no Estado até agora são compatíveis com as reações descritas na bula, como dor no local da aplicação, febre, mal-estar e dor de cabeça.
Não há registro de eventos graves associados ao imunizante em território catarinense.
Com a suspensão temporária, as doses já distribuídas permanecerão armazenadas na rede de frio dos municípios e do Estado até que novas orientações sejam emitidas pelo Ministério da Saúde.
A SES também esclareceu que a vacinação de adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, segue normalmente em todo o país.
Imunizante é o primeiro de dose única no país
Primeira vacina brasileira de dose única contra a dengue, o imunizante do Instituto Butantan foi incorporado ao SUS neste ano. Estudos clínicos utilizados para o registro do produto apontaram elevada eficácia na prevenção de casos graves e hospitalizações provocadas pela doença, além de perfil de segurança considerado adequado pelas autoridades regulatórias.
A Secretaria de Estado da Saúde catarinense informou que continuará acompanhando as investigações conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelos demais órgãos responsáveis pela avaliação da segurança dos imunizantes. Novas informações deverão ser divulgadas após a conclusão das análises.
Fonte: NSC Total
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