A Secretaria de Estado da Saúde (SES) emitiu nesta quinta-feira, 12, um alerta sobre os riscos provocados pelo uso indiscriminado de medicamentos emagrecedores conhecidos como “canetas”, à base de tirzepatida e retatrutida, para a população catarinense.
O comunicado da Diretoria de Vigilância Sanitária ocorre diante do aumento do consumo desses produtos e da comercialização irregular fora dos canais regulamentados, sem garantias de segurança, eficácia ou qualidade.
Segundo o diretor da Vigilância Sanitária, Eduardo Marques Macário, as canetas emagrecedoras são medicamentos e não itens de consumo livre. A aquisição deve ocorrer exclusivamente em farmácias e drogarias regularizadas, sempre mediante receita médica. O uso sem orientação profissional pode causar sérios riscos à saúde.
A tirzepatida possui autorização no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, mas exige prescrição e acompanhamento médico. Quando utilizada de forma inadequada, pode provocar náuseas intensas, vômitos persistentes, desidratação severa, hipoglicemia e pancreatite aguda, entre outros problemas que podem resultar em hospitalização. Em Santa Catarina não há registros de pancreatite relacionados ao medicamento até o momento, mas autoridades acompanham quatro casos de eventos adversos neurológicos com possível associação ao uso.
Já a retatrutida ainda está em fase de estudos clínicos e não possui aprovação de nenhuma agência reguladora no mundo. A SES destaca que a compra e comercialização desses produtos por meios online não regularizados ou vendedores informais é proibida. O medicamento também pode ser manipulado apenas em farmácias autorizadas para injetáveis, mediante receita individualizada e sem manutenção de estoques para venda geral.
Parte da preocupação das autoridades está relacionada à circulação de produtos irregulares e falsificados. Em janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização, fabricação, importação e divulgação da tirzepatida das marcas Synedica e TG, além de todos os produtos à base de retatrutida, por falta de registro sanitário no país. A proibição abrange qualquer lote produzido desde 2020.
A orientação da SES é que a população verifique sempre a embalagem, o número de registro, o lote e a validade dos medicamentos, além de desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado. Casos de venda irregular ou propaganda de produtos proibidos podem ser denunciados às vigilâncias sanitárias municipais ou aos canais oficiais da Ouvidoria, pelo telefone 0800 048 2800 ou pelo e-mail ouvidoria@saude.sc.gov.br.
Fonte: Portal Peperi
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