O fenômeno El Niño foi oficialmente confirmado nesta quinta-feira, 11, e deve influenciar as condições climáticas em Santa Catarina nos próximos meses. O anúncio foi feito pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), enquanto a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil acompanha a evolução do fenômeno e reforça ações de prevenção em todo o estado.
A confirmação ocorreu após o Oceano Pacífico Equatorial registrar aquecimento superior a 0,5°C, acompanhado por uma resposta atmosférica compatível. Segundo a NOAA, existe 63% de probabilidade de o episódio atingir intensidade muito forte neste ano, com anomalias acima de 2°C entre novembro e janeiro. Caso o cenário se confirme, este poderá ser um dos episódios mais intensos desde 1950.
Apesar disso, os meteorologistas da Defesa Civil catarinense destacam que ainda é cedo para apontar impactos concretos em Santa Catarina. A expectativa é que os efeitos se tornem mais evidentes ao longo dos próximos meses, principalmente durante a primavera, quando historicamente há maior ocorrência de chuvas intensas no estado.
Entenda o fenômeno
De acordo com os técnicos, o El Niño costuma favorecer o aumento do volume e da frequência das precipitações no Sul do Brasil, elevando o risco de inundações, enxurradas e deslizamentos. A intensidade desses impactos, porém, depende também das condições atmosféricas de cada evento e das características de vulnerabilidade de cada região.
Historicamente, os principais reflexos do fenômeno em Santa Catarina são observados entre setembro e novembro. No último episódio, os efeitos mais severos começaram no segundo semestre de 2023, com chuvas intensas em diversas regiões catarinenses, e se estenderam até o outono de 2024, quando eventos extremos atingiram o Rio Grande do Sul.
Duração prolongada
As projeções indicam que o El Niño deverá ganhar força gradualmente nos próximos meses, atingindo o pico entre a primavera e o verão. A expectativa é que o fenômeno se mantenha até o outono de 2027.
Diante da elevada probabilidade de um evento muito forte, o governo de Santa Catarina ampliou as ações de preparação. Em maio, foi decretado estado de alerta climático, permitindo o pré-posicionamento de equipes, a contratação preventiva de equipamentos e a definição de critérios para situações de emergência e calamidade pública.
Ações preventivas
Na próxima segunda-feira, dia 15, a Defesa Civil estadual vai promover uma reunião do Comitê de Gestão de Crises para discutir estratégias de monitoramento, logística, resposta e assistência humanitária.
Além disso, a Operação Primavera 2026 mobiliza os 295 municípios catarinenses com ações como limpeza de córregos e sistemas de drenagem, vistorias em áreas de risco, simulados de evacuação, desassoreamento de rios e atualização dos planos de contingência.
O estado também mantém uma rede de 172 estações hidrometeorológicas, quatro radares meteorológicos e uma equipe de meteorologistas em monitoramento permanente. Os alertas são enviados por SMS, WhatsApp e pelo sistema Defesa Civil Alerta.
A orientação é para que a população acompanhe os avisos oficiais e siga as recomendações dos órgãos de proteção em caso de chuvas intensas. Em situações de risco, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199.
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