Natural de Barracão, no Paraná, e morador do bairro São Luiz, em São Miguel do Oeste, Luiz Mendonça carrega uma história marcada pelo trabalho duro, pela simplicidade e pelas memórias de uma vida construída entre o interior, as obras e a família. Aos 77 anos, prestes a completar 78 em setembro, ele relembrou momentos marcantes de sua trajetória durante participação no programa Retrato Falado deste sábado, 09, na Rádio Peperi.
Filho de Virgil Mendonça da Silva e Feliciana Mendonça, Luiz cresceu em uma família numerosa. Foram 12 irmãos, dos quais dez ainda estão vivos. A infância foi vivida na roça, em meio ao mato fechado da região de Barracão, onde desde cedo ajudava o pai nos trabalhos pesados da agricultura.
Segundo ele, apesar das dificuldades da época, a vida era feliz. “Todo mundo vivia trabalhando, mas vivia feliz”, recorda. O acesso à escola também era complicado. Luiz contou que caminhava cerca de 12 quilômetros para ir às aulas e outros 12 para voltar para casa.
Na juventude, conheceu a esposa, Ivone Rosa Mendonça, também da região de Barracão. Os dois começaram a namorar ainda jovens e se casaram quando ele tinha 24 anos e ela 22. Depois do casamento, o casal foi morar em Medianeira, no Paraná, em busca de melhores oportunidades.
Foi nesse período que Luiz trabalhou durante dois anos nas obras da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu. Ele relembrou a grandiosidade da construção e também os perigos enfrentados diariamente pelos trabalhadores. Uma das cenas mais marcantes foi um acidente que matou oito operários após uma caçamba carregada de concreto se abrir sobre os trabalhadores dentro do canal de desvio da barragem.
Mesmo diante das dificuldades, Luiz lembra que aprendeu a se virar. Trabalhava em turnos alternados e, nas horas vagas, pescava no rio para complementar a renda. “Quem sabe viver, vive em qualquer lugar”, resumiu.
Além da experiência em Itaipu, Luiz trabalhou por 46 anos como pedreiro. Atuou em diversas obras no Oeste catarinense e ajudou na construção de prédios importantes em São Miguel do Oeste, como o fórum e a delegacia regional.
Antes de se estabelecer definitivamente na cidade, passou por municípios como Caibi e Paraíso. Em Linha Anta Gorda, interior de Paraíso, abriu a tradicional “Bodega Mendonça”, ponto de encontro de moradores e amigos. O local ficou conhecido pelas partidas de baralho, pelas histórias e pelas comidas servidas aos visitantes.
Ao longo da conversa, Luiz também relembrou momentos difíceis, como a perda de dois filhos. Um deles morreu ainda bebê e outro faleceu aos 28 anos, após complicações de saúde.
Apaixonado por pesca, pelas amizades e pelos encontros em família, ele diz que gosta de reunir os amigos para um churrasco e valoriza a convivência simples. Hoje aposentado, afirma que sente saudades principalmente do pai e das aventuras da infância no interior.
Ouça a entrevista completa:
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