A mulher que ofendeu com declarações racistas o atendente de uma loja em Florianópolis foi denunciada por racismo pelo Ministério Público de Santa Catarina nesta quinta-feira, 5. O órgão também solicitou ao Juízo a fixação do valor mínimo de R$ 5 mil para reparar os danos causados à vítima.
O crime aconteceu em 28 de janeiro e foi flagrado pela câmera de monitoramento da loja. Nas imagens, é possível ouvir Cristiane Kellen Nunes Lopes dizendo para o jovem Dennys Evangelista da Silva, de 18 anos, o seguinte: "nego quando não caga na entrada, caga na saída. Pelo amor de Deus. Por isso que eu não gosto de nego".
O g1 procurou a denunciada, mas não obteve retorno até a última publicação da reportagem.
O que diz a denúncia?
Consta na denúncia que a mulher, "de forma livre e consciente, ciente da reprovabilidade e ilicitude de seus atos, praticou e incitou o preconceito de raça".
Ela foi denunciada pela prática do crime previsto no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que trata de condutas de discriminação ou incitação ao preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena prevista é de reclusão de um a três anos e multa.
O Ministério Público solicitou ao Juízo a fixação do valor mínimo de R$ 5 mil para reparar os danos causados à vítima.
Como ocorreu o crime?
As imagens mostram o momento em que a mulher entra na loja, localizada no bairro Cachoeira do Bom Jesus, no Norte da Ilha de Santa Catarina. Ela pergunta ao atendente uma informação sobre outro local. O jovem responde, mas ela não gosta do que ouve. Ele insiste que o lugar é perto, mas é ofendido em seguida.
"Nego quando não caga na entrada, caga na saída. Pelo amor de Deus. Por isso que eu não gosto de nego".
Segundo Dennys, a mulher queria trocar a tela do celular, mas o técnico responsável pelo serviço não estava na loja naquele momento. Ele explicou a situação e indicou outro estabelecimento, o que teria irritado a cliente.
"Quando falei que o técnico tinha saído, expliquei para ela por que ele tinha saído, sendo que não era minha obrigação explicar, e ela ficou braba porque achou que não estava com vontade de trabalhar”, disse Dennys.
Ele indicou outra loja e, em seguida, foi ofendido. "Na hora, eu fiquei em choque. Só caiu a ficha do que realmente tinha acontecido quando eu cheguei em casa, que daí eu chorei um monte, me senti muito mal", relatou Dennys.
Fonte: Portal Peperi
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