Conforme os dados apresentados, até abril, 1.875 pessoas aguardavam na lista de espera por um transplante de órgãos em Santa Catarina. De acordo com a central estadual, entre janeiro e abril, pouco mais de 500 transplantes foram realizados no Estado e o número de pacientes aguardando por uma nova chance de vida vem aumentando gradativamente nos últimos anos. Eram 1345 em 2023 e 1447 em 2024. Já o número de transplantes passou de 1713 em 2023 para 1543 em 2024.
Desde 2004, o HRO teve 353 protocolos e 184 entrevistas positivas, o que representa o percentual de 71% de aceitação das famílias para a doação dos órgãos.
Em 2024, foram 49 famílias entrevistadas, 32 autorizações e 26 doações, enquanto em 2025, foram, até maio, 18 entrevistas, 13 autorizações e 11 doações. No ano passado, o hospital realizou 15 transplantes de rins e 7 de córneas, enquanto neste ano, entre janeiro e maio, foram 9 transplantes de rins e 2 de córneas.
Desde 2019, a enfermeira Jussara de Lima coordena a comissão formada por dez membros no hospital: dois médicos e oito enfermeiros, selecionados com base no número de leitos de UTI e nas notificações de possíveis mortes encefálicas. Os profissionais são distribuídos em diferentes setores do hospital, especialmente em setores críticos, e devem ter empatia, habilidade de comunicação e sensibilidade com as famílias enlutadas.
Entre as principais atividades da comissão estão o acolhimento familiar, identificação de pacientes com morte encefálica, manutenção desses pacientes, comunicação com a SC Transplantes, treinamento de profissionais da saúde e esclarecimento às famílias sobre o processo e os desdobramentos da doação.
“Ser coordenador da CHT é estar continuamente em busca de resultados que possibilitem a continuidade da vida. É estar nos extremos, pois a dor de uma família que perde seu ente querido é a possibilidade de salvar outras vidas. E tudo isso na corrida contra o tempo sensível para a realização do transplante”, comenta a enfermeira.
Quando a família autoriza a doação, a SC Transplantes organiza a logística para a regulação e destino dos órgãos, encaminhados para cidades e estados em que esteja o paciente compatível. O processo é sensível ao tempo, exigindo rapidez e coordenação entre diversas equipes externas e internas.
A enfermeira ressalta que só são retirados os órgãos se houver receptor compatível e o corpo do doador é respeitado em sua integridade. “A família doadora irá lembrar de que salvou vidas através da doação, diminuindo e confortando a dor da perda e a imagem trágica do ocorrido. A doação é o maior ato de compaixão e solidariedade. É doar vida!".
A comissão também atua para garantir que as famílias recebam informações claras, apoio emocional e tenham seus desejos considerados, inclusive quanto ao tempo necessário para os rituais de despedida. “A aparência do corpo vai se manter a mesma. O tempo de funeral será o mesmo que a família escolheria fazer. A comissão está sempre à disposição da família para esclarecer dúvidas e garantir que elas entendam todo o processo.”
Captação
O processo para a captação dos órgãos e encaminhamento aos receptores depende de muitas pessoas, exigindo um trabalho integrado e coordenado. Recentemente, a família de um jovem paciente que teve morte cerebral no HRO, decidiu doar todos os órgãos do rapaz, um procedimento que envolveu equipes multidisciplinares de lugares distintos, como São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis, além da equipe do HRO.
Foram envolvidos mais de 30 profissionais para o sucesso do procedimento. A equipe da CHT do HRO com profissionais qualificados, articulou e organizou toda logística com as equipes, contato e acolhimento dos familiares.
Fonte: Portal Peperi
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