Extremo Oeste lidera crescimento do agro em SC e concentra 25% da produção de leite

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Extremo Oeste lidera crescimento do agro em SC e concentra 25% da produção de leite

O Extremo Oeste catarinense vem se consolidando como uma das regiões mais importantes para o agronegócio de Santa Catarina. A avaliação é do gerente regional da Epagri de São Miguel do Oeste, Sidinei Simon, que destacou o protagonismo da região no crescimento da agropecuária estadual.

Segundo Simon, o avanço do setor agropecuário em Santa Catarina, que registrou crescimento real superior a 12%, tem forte contribuição da produção animal. Do total do valor gerado pelo agronegócio catarinense, 60,7% é proveniente da produção animal, segmento em que o Extremo Oeste possui papel estratégico.

“O Extremo Oeste tem apresentado uma evolução constante em praticamente todas as atividades agropecuárias. A região ainda possui espaço para expansão e isso impulsiona o crescimento da suinocultura, da avicultura e, principalmente, da pecuária leiteira”, afirmou.

A produção leiteira continua sendo uma das principais forças da economia rural do Extremo Oeste. De acordo com a Epagri, 25% de todo o leite produzido em Santa Catarina sai dos municípios da região da Ameosc.

Além disso, sete dos maiores municípios produtores de leite do Estado estão localizados na faixa de fronteira com a Argentina, reforçando a importância regional para a cadeia produtiva. Simon destacou que o leite possui um diferencial importante em relação a outras atividades agropecuárias.

“A pecuária leiteira alcança um número muito maior de famílias e propriedades rurais. Ela tem uma grande amplitude social e movimenta toda a economia regional”, explicou.

Suínos e frangos impulsionam crescimento

Além do leite, a região também possui participação expressiva na produção de proteína animal. Dados apresentados pela Epagri apontam que o Extremo Oeste responde por:

- 25% da produção estadual de leite;

- 12,5% da produção de suínos;

- Quase 9% da produção de frangos de corte;

- 10% da produção estadual de bovinos de corte.

Segundo Simon, as agroindústrias seguem investindo e demonstrando interesse na ampliação das cadeias produtivas, especialmente da suinocultura e avicultura. “O setor tem procurado produtores para novos investimentos. Temos potencial para crescer porque ainda dispomos de áreas adequadas para expansão dessas atividades”, ressaltou.

Mesmo sem liderar os índices estaduais de produção de grãos, o Extremo Oeste desempenha papel fundamental no abastecimento das cadeias de proteína animal.

Milho e soja são considerados estratégicos para a fabricação de ração. Como Santa Catarina possui apenas 1% do território nacional e não produz grãos suficientes para atender toda a demanda interna, cada hectare cultivado na região ganha importância.

Outro destaque é a produção de milho para silagem. Conforme Simon, entre 60% e 70% das sementes distribuídas pelo programa Terra Boa, conhecido como Troca-Troca, são destinadas à produção de silagem para alimentação do rebanho leiteiro.

Para o gerente da Epagri, o impacto do agronegócio vai muito além das propriedades rurais. Segundo ele, o crescimento da agropecuária movimenta diretamente as agroindústrias, o comércio e o setor de serviços em municípios como São Miguel do Oeste, Itapiranga e cidades vizinhas.

“É praticamente impossível separar a economia regional do agronegócio. A indústria, os serviços e o comércio possuem forte ligação com a produção rural e com as agroindústrias instaladas na região”, destacou.

A expectativa da Epagri é de continuidade dos investimentos e da expansão da produção animal nos próximos anos. Enquanto a pecuária leiteira passa por um processo de especialização e aumento de produtividade, outras cadeias, como a bovinocultura de corte, ganham espaço entre produtores que deixam a atividade leiteira.

Além disso, há perspectivas positivas para setores como fruticultura, horticultura, produção de grãos e atividades ligadas à alimentação animal, como a produção de silagem, feno e pré-secado.

“O Extremo Oeste continua tendo vocação para crescer. Temos potencial produtivo, estrutura agroindustrial e produtores cada vez mais especializados”, concluiu Simon.

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