No ano mais afetado pela pandemia, 2020, Santa Catarina registrou Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 349,3 bilhões, o que significa queda de 2,86% em volume frente ao do ano anterior. Mesmo assim, o Estado cresceu mais que o Brasil, que no mesmo período teve queda de 3,3%. Apesar disso, SC encerrou o ano com participação de 4,6% no PIB do país, frente a 4,4% no ano anterior e 3,7% em 2002, quando começou essa série.
Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE), que calculam o PIB estadual em conjunto. Esses indicadores são publicados cerca de dois anos após o ano analisado.
Segundo o IBGE, somente dois estados tiveram alta do PIB 2020, Mato Grosso do Sul (0,2%) e Roraima (0,1%), enquanto Mato Grosso ficou estável.
Em 2020, SC também manteve a posição de sexta maior economia brasileira, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Outro destaque do estado é que manteve a 4ª posição entre os maiores PIBs per capita do país, com renda média de R$ 48.159,2 por habitante, 34% à frente do brasileiro, que ficou em R$ 35.935,7.
Ficou atrás do Distrito Federal (R$ 87.016,2), São Paulo (R$ 51.364,7) e Mato Grosso (R$ 50.663,2). O ranking desse indicador teve mudanças porque o Rio de Janeiro, que estava em terceiro lugar, caiu para a sexta posição, superado por Mato Grosso, SC, e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal e São Paulo que já estavam na frente.
Quanto ao desempenho dos três grupos de atividades avaliados para o PIB, em Santa Catarina, no ano de 2020, a agropecuária cresceu, a indústria e os serviços tiveram retração.
O setor agropecuário teve crescimento de 1,8% em volume e representou 6,7% do valor do PIB do Estado, frente a 5,7% em 2019). As atividades de avicultura, suinocultura e bovinocultura subiram 3% em 2020. A agricultura teve alta de 0.9%.
O setor industrial catarinense teve uma queda geral de 5,6% em volume em 2020 e respondeu por 27% do valor adicionado do PIB no ano. A indústria de transformação, que predomina no Estado, respondeu por 19,6% do total, a construção civil, 4,7% e os serviços industriais de utilidade pública, 2,4%.
Segundo apuração do IBGE, a indústria de transformação de SC tevê recuo de -6,5% em 2020 frente ao ano anterior. As maiores retrações ocorreram na produção de alimentos, confecções, metalurgia, produtos de metal e autopeças. A indústria extrativa caiu -5,9% e a construção civil, -2,7%.
Os serviços, que reúnem também o comércio e somam a maior participação no PIB do Estado, tiveram uma queda de -1,7% em volume. Eles responderam por 66,3% da economia catarinense em 2020, um pouco menos do que em 2019 quando chegaram a 67,8%.
O comércio liderou a participação nos serviços com 16,9% do volume total; administração pública, que inclui educação e saúde pública e administração, respondeu por 13% e as atividades imobiliárias, com 10,2%. Os serviços que mais caíram no ano foram alojamento e alimentação (-25,3%) transportes e correios (-10,1%) e serviços públicos em geral (-4,9%). Tiveram desempenho positivo no ano, comércio e reparação de veículos (2,3%), atividades imobiliárias (2,7%) e atividades financeiras (5,4%).
- Não foi um ano bom para ninguém. Tivemos uma queda próxima de 2,9% em volume, o que não é bom. Mas se a gente contextualizar, fomos melhores do que outros estados. A média brasileira foi uma queda de 3,3%, bem acima da retração de SC. Isso, mais uma vez, mostra a competitividade da economia catarinense, que tem se mostrado resiliente diante das crises. Tanto que a gente voltou a crescer em 2021, com um desempenho excelente – afirma o economista Paulo Zoldan, que coordena o levantamento do PIB estadual.
O economista chama a atenção para os avanços da economia catarinense na participação nacional. No caso do setor de alojamento e alimentação, SC respondia em 2010 por 3,2% do total nacional. Agora está em 5%. Os serviços de informação e comunicação, que envolvem também o setor de tecnologia, passaram de 2,5% em 2010 para 4,2% agora.
Também avançaram a indústria de transformação de SC, que representava 5,9% e em 2020 subiu para 7%, a construção civil avançou de 4,5% para 5,1%, o transporte e armazenagem passou de 3,7% para 4,8% e o comércio avançou de 4,8% para 5,9%.
As perdas maiores na indústria e serviços acabaram fazendo com que o PIB catarinense tivesse recuo maior do que as projeções feitas na época ou logo depois. O IBCR- SC, considerado prévia e apurado pelo Banco Central, indicou queda de 1,7% do PIB do estado em 2020 e a estimativa da SDE foi de recuo de 2,1% para o ano.
Fonte: Portal Peperi
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