Um dia de cada vez. É assim que Basílio de Oliveira diz estar vivendo. Todo ano, no segundo domingo do mês de agosto, se comemora o Dia dos Pais, mas para ele, neste dia 9, a data não será completa.
"Ontem, hoje e amanhã, tanto faz, o dia só seria feliz com elas aqui de novo. Dói demais. Elas eram muito queridas desde pequenininhas, tinham muitos amigos", contou ele.
Basílio, aos 49 anos, sofreu o maior trauma da vida dele. Como em um sopro, perdeu as duas filhas em um acidente na BR-277, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, envolvendo mais de 20 veículos.
O pai também estava no acidente, ocorrido em um trecho de visibilidade baixa, mas não foi atingido. "Foi uma fatalidade, ainda não acredito". Além das filhas, o genro Fernando Jaroz Mendes e outras cinco pessoas morreram.
São lembranças, planos e sonhos que se dissiparam antes mesmo do nevoeiro. Uma semana exata em que esse pai tenta sobreviver por meio do amor. Mais do que isso, tenta recomeçar.
"Foram direto para o céu", diz o pai com a voz embargada.
Apesar da ferida ainda longe de cicatrizar, Basílio conta que se agarra na fé e nas boas lembranças que viveu ao lado de "suas meninas", Ester, de 20 anos, e Jéssica, de 21.
Além das duas jovens, Basílio teve mais dois filhos: Claudemir, de 25 anos, e Almir, de 28.
O pai que zelou por ensinar o certo aos filhos, hoje lamenta o "erro" da distância.
A falta do toque, do abraço e da presença é inevitável. Mas, segundo ele, o laço que o amarra com elas não permite que tudo o que passou, desde a espera pelo nascimento das duas até o mínimo gesto de proteção que teve, tenha ido embora com o breu.
"A gente tem que tirar forças da onde nem sabe que tem. Eu tive pouquíssimos ferimentos no corpo, mas tem um machucado que não sara. Consola em ter vivido tanta história linda com elas".
Basílio é argentino, da província de Misiones. Há dez meses, sofreu um derrame facial - do qual está recuperado. Morando no país vizinho, ele veio para o Brasil seguindo os passos da esposa para acompanhar a gravidez de Ester.
Segundo os planos do pai, este domingo de 9 de agosto seria bem diferente na casa da família Oliveira. Mas, como o pastor evangélico afirma, "veio aquela nuvem, aquela fumaça, e bagunçou tudo".
Cinco dias antes do acidente, segundo Basílio, a filha mais nova, Ester, e o genro Fernando haviam se casado no cartório. O casal deixa uma filha: Emanuele, de quatro meses, que ficou em casa com a avó Lourdes no dia do acidente.
"Eles foram também à igreja, reconciliaram a vida com Deus. Ela não deixava a bebê por nada e, para ir na oração, eu não sei, ela veio e deixou a nenê com a avó. Eles eram tão cheios de vida. O Fernando trabalhando registrado, menino bom", relembrou.
Fonte: Portal Peperi
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