A onda de calor que atingiu Santa Catarina nos últimos dias teve um impacto maior em estudantes e profissionais da educação. A volta às aulas escancarou a falta de estrutura das escolas, sem ar-condicionado, ventiladores e uma rede elétrica adequada.
Presidente da Comissão de Educação e Cultura, a deputada Luciane Carminatti (PT) fez um requerimento de uma reunião de trabalho para buscar uma solução para os problemas.
Em entrevista à Radio Oeste, a deputada estadual enfatiza que é de extrema necessidade a climatização das escolas estaduais no Estado. Segundo a parlamentar, o aumento das temperaturas torna inviável o aprendizado em salas de aula com estruturas inadequadas.
A deputada destaca que Santa Catarina já investiu cerca de 49 milhões de reais em equipamentos, no entanto, a maioria dos climatizadores não está sendo utilizada devido à falta de infraestrutura elétrica. Isso ocorre porque, em algumas escolas, as redes elétricas não foram projetadas para suportar a carga extra exigida pelos climatizadores.
Ou seja, ao tentar ligar os aparelhos de ar-condicionado, o sistema elétrico simplesmente não consegue suportar a demanda e acaba sobrecarregando, o que leva ao desligamento dos aparelhos ou até ao comprometimento da rede elétrica. Esse problema significa que, apesar da aquisição dos climatizadores, muitas escolas não conseguem usá-los de maneira eficaz.
A deputada relata que cerca de 83% das unidades escolares não conseguem utilizar os aparelhos. Em entrevista Luciane Carminatti afirma que muitas escolas estão suspendendo aulas devido ao calor excessivo, e demonstra grande preocupação com a condições de alunos e professores.
A deputada menciona que foi realizada reunião com o secretário de Educação, que informou previsão de instalação de equipamentos em 400 escolas ainda neste ano. No entanto, Luciane demonstra ceticismo quanto à viabilidade da meta, considerando a baixa execução em anos anteriores.
Como alternativa, ela propôs, por meio de requerimento aprovado na Comissão de Educação, a formação de um grupo técnico de trabalho com participação da CELESC, universidades com cursos de engenharia elétrica e a própria Secretaria de Educação para buscar soluções práticas e ágeis.
A deputada também chama atenção para a redução expressiva no orçamento da assistência social no Estado. Conforme Luciane Carminatti, apesar do aumento nas demandas por atendimentos envolvendo idosos, pessoas com deficiência, mulheres vítimas de violência, população de rua e imigrantes, o percentual de investimento estadual caiu drasticamente nos últimos anos.
Ela destaca que em 2015 o Estado destinava 0,78% da sua receita para a área, e para 2025, o valor projetado é de apenas 0,24%. Luciane considera esse cenário preocupante, especialmente diante do crescimento da arrecadação estadual, que superou os 50 bilhões de reais.
A deputada defende a aprovação da PEC 283, que tramita no Congresso Nacional, propondo que a União, invista pelo menos 1% da receita em assistência social. Conforme Luciane, se esse percentual for implementado em Santa Catarina, os recursos disponíveis para a área seriam quadruplicados em relação ao cenário atual.
Fonte: Portal Peperi
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