O Coordenador do Curso de Medicina Veterinária da Uceff, Ramiro Bonotto, explica que foi feito uma bandagem heteróloga com pele de tilápia buscando proteção de uma ferida bastante grave em uma égua, trazida de uma propriedade agrícola no município de Romelândia. Segundo o veterinário, o animal chegou com quadro de lesão muscular, com laceração na parte traseira superior e passou boa parte do primeiro semestre sendo acompanhada pela equipe do Núcleo de Práticas Veterinárias.
Bonotto admite que existia grande risco de óbito devido à gravidade da lesão, provocada a partir do uso de uma seringa contaminada. A égua que recebeu implante de pele de tilápia passou por tratamento de uma lesão muscular aberta com mais de 25 centímetros de diâmetro. Conforme Ramiro Bonotto, nestes casos, em equinos, o tempo de cicatrização em procedimento normal seria de até 200 dias de tratamento. Com uso da pele de tilápia este período pode ser reduzido para pouco mais de um mês.
Bonotto enfatiza que em um trabalho bem sucedido a reabilitação pode ser reduzida de seis meses para no máximo dois meses. O veterinário lembra que já existem diversas situações de uso de pele de tilápia em humanos, principalmente em casos de queimaduras. O coordenador do curso de medicina veterinária da Uceff também ressalta que a cicatrização em equinos é mais lenta em comparação a outras espécies.
O Núcleo de Práticas Veterinárias da Uceff já usou com sucesso a pele de tilápia em gato e cachorro. Um exemplo bem sucedido foi do trabalho de conclusão de curso, do acadêmico Maurício Bergmann, em projeto desenvolvido no ano de 2020. Formado pela Uceff, o veterinário atuou na cirurgia realizada na semana passada para a bandagem heteróloga.
Os trabalhos da equipe teve sete horas de duração no procedimento cirúrgico, com total de 75 pontos. Além de uma recuperação mais rápida, outro benefício é o baixo custo para o implante por se tratar de um peixe de fácil acesso. De acordo com Ramiro Bonotto, a pele de tilápia possui elevada resistência e tração, grande grau de umidade, além da riqueza em colágeno e ômega 3.
O veterinário observa que são espécies bem distintas e existe possibilidade de rejeição. Até o momento tem sido um processo bem sucedido.
Fonte: Portal Peperi
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