O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) acompanha atualmente dois casos confirmados de trabalho infantil em São Miguel do Oeste. A informação foi divulgada pela coordenadora do CREAS e da Comissão do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), Marilia Munerolli, durante entrevista à Peperi.
Segundo ela, um dos principais desafios enfrentados pela rede de proteção é a dificuldade das próprias famílias em reconhecer quando uma atividade realizada por crianças e adolescentes ultrapassa o limite da responsabilidade doméstica e passa a configurar trabalho infantil.
Marilia explicou que, nos dois casos atendidos atualmente pelo CREAS, houve confirmação da situação pelos profissionais responsáveis pelos acompanhamentos. Ela destacou que, em muitos casos, os familiares não percebem que determinadas tarefas atribuídas aos filhos representam uma violação de direitos.
“Existe uma questão cultural muito forte. Há uma linha muito tênue entre ensinar responsabilidade, transmitir valores familiares e caracterizar uma situação de trabalho infantil. O problema acontece quando a tarefa ou função interfere nos direitos da criança ou do adolescente”, ressaltou.
A coordenadora citou que as principais denúncias recebidas no município envolvem atividades em lavacar, onde menores podem ficar expostos a produtos químicos prejudiciais à saúde, além de trabalhos em oficinas mecânicas e situações de trabalho doméstico excessivo, quando adolescentes assumem responsabilidades diárias incompatíveis com sua idade e que podem comprometer seu desenvolvimento.
A temática esteve em pauta durante o 2º Fórum Municipal de Combate ao Trabalho Infantil, realizado na última sexta-feira, 19, no Salão Nobre da Prefeitura de São Miguel do Oeste. Com o tema “Conhecer para prevenir”, o encontro teve como foco a capacitação dos profissionais que atuam diretamente na rede de proteção.
De acordo com Marilia, diferentemente da edição passada, que teve como público principal os adolescentes e trabalhou ações de conscientização, neste ano o objetivo foi preparar profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social para reconhecer e encaminhar possíveis situações de trabalho infantil.
Ela destacou que ainda existe dificuldade na identificação e conceituação do problema, o que reforça a necessidade de formação continuada para conselheiros tutelares, agentes comunitários de saúde e demais profissionais da rede.
Os debates da tarde foram conduzidos pela psicóloga da Educação, Gabriele Marin, e pela assistente social Vanessa Serigheli, que abordaram aspectos práticos para auxiliar na identificação dos casos e no fortalecimento das ações de prevenção no município.
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