CCJ do Senado aprova projeto que endurece punição para crimes hediondos

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

Compartilhar
CCJ do Senado aprova projeto que endurece punição para crimes hediondos
Foto: Saulo Cruz, Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira, 18, o projeto que endurece a pena a condenados por crimes hediondos, proibindo a progressão de pena. O projeto agora pode seguir para a Câmara dos Deputados.

O PL 853/2024 altera a Lei dos Crimes Hediondos e a Lei da Execução Penal, estabelecendo que as penas previstas para alguns dos crimes classificados como hediondos sejam cumpridas totalmente em regime fechado, sem que o condenado possa ir para o semiaberto ou aberto.

Quais são os crimes hediondos

Os crimes que se enquadram na nova regra são:

- Homicídio qualificado

- Estupro

- Epidemia com resultado morte

- Favorecimento da prostituição ou de exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável

- Sequestro de menor de idade

- Tráfico de pessoas cometido contra criança ou adolescente

- Genocídio

- Induzimento ou auxílio a suicídio ou automutilação, por meio da internet

- Liderança de organização criminosa

Crimes hediondos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também entram no projeto, com proibição da progressão de pena. São os crimes relacionados à produção, disseminação e armazenamento de pornografia infantil, e ao aliciamento de crianças para atos libidinosos.

Essa proibição não abrange todo o rol de crimes hediondos. Nestes casos, a progressão de pena continua permitida, como nos crimes de lesão corporal seguida de morte, extorsão mediante sequestro, falsificação de remédios e posse ou porte ilegal de arma de fogo, entre outros.

O projeto já havia passado pela Comissão de Segurança Pública (CSP), onde recebeu uma alteração, que limitou os crimes inclusos na proibição e incluiu os delitos do ECA.

Decisão do STF

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional o dispositivo da Lei dos Crimes Hediondos que impedia a progressão da pena nesses casos. Conforme a Corte, isso violava o princípio constitucional da individualização da pena, que significa que o juiz tem autonomia para dar condições de cumprimento da pena, que sejam adequadas para recuperação social do condenado.

Durante a votação do projeto, o senador Sergio Moro (União-PR), titular da CCJ, disse entender que o projeto não contraria a decisão do STF.

— A meu ver, aquela decisão teve muito a ver com o fato de o tráfico de drogas estar equiparado como crime hediondo, e o STF ter entendido que era inconveniente o cumprimento integral em regime fechado para o pequeno traficante. Em relação a assassinato, homicídio, feminicídio, estupro, crimes contra crianças, adolescentes, eu acho que há um espaço para a definição de um regime mais duro, com cumprimento integral — disse o senador.

Relator do caso, o senador Marcos Rogério (PL-RO) argumentou no voto que o princípio da individualização não é absoluto, e deve ser ponderado com outros direitos fundamentais. O projeto é do senador Flávio Arns (PSB-PR).

Com o parecer favorável da CCJ, a proposta pode seguir para a Câmara dos Deputados, a não ser que haja recurso para que ele passe pelo Plenário do Senado antes. O recurso precisa ser assinado por pelo menos nove senadores, e o prazo para apresentá-lo é de cinco dias úteis.

Fonte: Portal Peperi

Fique por dentro das últimas novidades do Portal Peperi