Um “cacho” de cobras-verde penduradas sob os galhos de um pé de mexerica intrigaram um morador do Rio Grande do Sul em abril do ano passado. Em 2022, o assunto virou tema de uma importante revista sobre serpentes.
A fotografia foi feita por Telmo Santos no município de Santo Antônio da Patrulha (RS). Tudo indica que esse pode ser o primeiro registro do fenômeno entre cobras-verde (Philodryas olfersii) no Brasil, espécie amplamente distribuída na América do Sul.
Na tentativa de entender qual fenômeno era aquele, a foto foi parar em um grupo no Facebook. O que Telmo não esperava era que estava colaborando com a ciência. O registro foi descrito em uma nota científica de história natural da revista Herpetological Review, um periódico que reúne informações fundamentais para a compreensão da biologia das serpentes.
Trata-se de um fenômeno chamado cientificamente de agregação reprodutiva. “Ocorre justamente no período reprodutivo e o objetivo é o sucesso da reprodução da espécie por meio da cópula”, explica a bióloga especialista em répteis, Karina Banci, ao site g1.
As fêmeas secretam na pele hormônios sexuais chamados feromônios. Os machos são atraídos até a fêmea, por meio do olfato, conseguindo, inclusive, seguir as trilhas de feromônios que as fêmeas vão deixando por onde passam.Eventualmente muitos machos são atraídos ao mesmo tempo por uma fêmea só, o que faz com que eles se agreguem em volta dela, tentando copular.
Silara Batista, bióloga e autora da nota científica, diz que há relatos de agregações reprodutivas com duração de uma hora até alguns dias. A espécie norte-americana cobra-liga-comum é o caso mais clássico desse comportamento.
“Apesar da riqueza de serpentes no País há relatos de agregação reprodutiva em poucas espécies, como a sucuri, a coral-verdadeira e, agora, na cobra-verde — descrita nesse trabalho”, diz. A teoria revela que a serpente escolhe machos com maior ‘fitness’ reprodutivo, ou seja, indivíduos maiores, mais vistosos e mais saudáveis”.
A imagem ajudou os cientistas com informações técnicas que, após publicadas, servem de referência para pesquisas e ações de conservação das serpentes. As informações são do site g1.
Fonte: Portal Peperi
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