O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o principal destinatário de ações clandestinas com o uso indevido da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). A informação consta em relatório da Polícia Federal que estava sob sigilo, mas se tornou público nesta quarta-feira (18) por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O R7 tenta contato com a defesa de Bolsonaro. O espaço segue aberto para manifestação.
Conforme indica o inquérito, a maioria das ordens para uso ilegal da agência teve como fim prestar informações ou atender pedidos de Bolsonaro. À época, a agência estava sob o comando de Alexandre Ramagem, agora deputado federal.
“Jair Messias Bolsonaro figura como o principal destinatário do produto das ações clandestinas e da instrumentalização da Abin”, diz trecho do relatório.
Como evidência, a PF aponta a nomenclatura de arquivos de documentos direcionados a ele. Entre os exemplos estão “Bom dia Presidente” e “PR Presidente”.
O inquérito também afirma que ações da agência eram voltadas para prestar vantagens a integrantes do chamado “núcleo-político”, que seriam beneficiados pela Abin Paralela.
Uso da Abin para fins eleitorais
O relatório também cita, por diversas vezes, que a Abin foi instrumentalizada para produção de ações clandestinas, como monitoramentos, produção de dossiês e disseminação de notícias falsas. Parte dessa produção foi utilizada em ataques contra o sistema eleitoral brasileiro.
“As campanhas de desinformação direcionadas contra o sistema eleitoral foram produzidas com recursos humanos, técnicos e financeiros da Abin”, aponta trecho do documento.
O uso para fins eleitorais também passou pela instalação de câmeras, conforme a PF. “O ataque ao sistema eleitoral, também, contou com o produto da estrutura paralela, por exemplo, no uso de imagens de drones para fins políticos partidários, por exemplo, para defesa do voto impresso. Não somente de drones, mas, também, de câmeras instaladas em todos os ministérios.”
Relatório da PF
Segundo o relatório da investigação, os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso estavam entre os alvos da “Abin Paralela”, assim como o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL). As investigações também indicam que jornalistas teriam sido monitorados.
O documento da PF afirma que o ex-presidente Bolsonaro teve envolvimento no caso e teria integrado uma organização criminosa, mas o político não foi indiciado, porque já responde pelo crime na ação penal da tentativa de golpe de Estado.
Também não foram indiciados, pelo mesmo motivo, o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que na época dirigia a Abin, o policial federal Marcelo Araújo Bormevet e o subtenente do Exército Giancarlo Gomes Rodrigues. Os quatro são réus no STF por envolvimento no plano de golpe de Estado e respondem por organização criminosa. Mas, outras 36 pessoas que teriam participado do esquema para espionar inimigos políticos do ex-presidente foram indiciados.
Fonte: Portal Peperi
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