Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê e diz que riscos sanitários “não foram superados”

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Anvisa mantém suspensão de produtos da Ypê e diz que riscos sanitários “não foram superados”

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) formou maioria nesta sexta-feira, 15, para manter suspensa a fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos da Ypê. Segundo os diretores da agência, as medidas adotadas pela empresa foram “insuficientes” e os riscos sanitários identificados pela fiscalização “não foram superados”.

A Anvisa reforçou que a análise atual tem natureza cautelar e que o mérito definitivo do processo administrativo sanitário ainda será julgado posteriormente. Qualquer diretor da Anvisa pode pedir vista do processo, o que interromperia a deliberação e adiaria a conclusão do caso para uma próxima reunião da Diretoria Colegiada.

Segundo a agência, a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.

O que é a bactéria encontrada

A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente, presente no ar, na água, no solo e até na pele de pessoas saudáveis. Segundo a literatura médica, trata-se de uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar quadros graves em indivíduos com sistema imunológico comprometido.

As infecções variam de quadros leves a doenças graves com risco de morte, podendo atingir pele, pulmões, sangue, olhos, ouvidos, trato urinário e gastrointestinal, conforme o centro médico acadêmico americano Cleveland Clinic. Em casos mais severos, a infecção pode evoluir para sepse e falência de órgãos.

Quem corre maior risco

De acordo com referências médicas citadas na apuração, as infecções por Pseudomonas aeruginosa tendem a ser mais frequentes e mais graves em pessoas imunossuprimidas, como:

- Pacientes em tratamento contra o câncer

- Transplantados em uso de imunossupressores

- Pessoas com HIV/aids sem controle

- Pacientes em uso prolongado de corticoides

- Pessoas com doenças autoimunes em tratamento

- Diabéticos e pacientes hospitalizados

Fonte: NSC Total

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