O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Adair Teixeira, avaliou que o Plano Safra 2026/2027 ficou abaixo das expectativas em diversos aspectos. Segundo ele, tanto os sindicatos rurais quanto a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) esperavam medidas mais amplas para atender as necessidades dos produtores.
O governo federal anunciou nesta semana mais de R$ 500 bilhões para o Plano Safra da agricultura empresarial e cerca de R$ 85 bilhões para a agricultura familiar. Na avaliação de Teixeira, apesar do volume de recursos, os valores ainda são insuficientes diante da realidade do setor. Ele também criticou as taxas de juros, que considera elevadas e capazes de dificultar o acesso dos agricultores ao crédito.
A principal reclamação do presidente do sindicato é a ausência de um programa de renegociação das dívidas rurais. Conforme Teixeira, muitos produtores enfrentam dificuldades financeiras acumuladas pelas perdas das últimas safras e aguardavam uma proposta específica para reestruturar os débitos. Segundo ele, sem essa medida, parte dos agricultores poderá encontrar dificuldades para contratar novos financiamentos.
Outro ponto destacado é que o Plano Safra não ampliou o limite de enquadramento no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), documento que substituiu a antiga Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). Atualmente, podem ser enquadradas famílias com renda bruta anual de até 500 mil reais. As entidades do setor defendiam a elevação desse limite para 800 mil reais, permitindo que um número maior de agricultores tivesse acesso às políticas públicas voltadas à agricultura familiar.
Teixeira também afirmou que os recursos destinados ao seguro agrícola ficaram abaixo do esperado. De acordo com ele, o volume anunciado pelo governo não atende nem metade da demanda apresentada pelos sindicatos e pelas entidades representativas do setor, o que mantém a preocupação dos produtores em relação às perdas provocadas por eventos climáticos.
Durante entrevista concedida ao programa Peperi Entrevista, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais voltou a defender a criação de uma política de preços mínimos mais eficiente. Segundo ele, os agricultores precisam de garantia de remuneração capaz de cobrir, pelo menos, os custos de produção, oferecendo maior segurança para investir nas próximas safras.
Na avaliação de Adair Teixeira, tanto as linhas de crédito do Pronaf quanto o Plano Safra destinado à agricultura empresarial apresentam limitações que podem dificultar o acesso dos produtores aos recursos disponibilizados pelo governo federal.
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