O itapiranguense, Airton Spies, Doutor em Economia dos Recursos Naturais, coordena um grupo de estudos da Aliança Láctea Sul Brasileira para incentivar a exportação brasileira. A crise que o setor leiteiro enfrenta no momento reflete uma realidade. Segundo ele, as crises são frequentes e recorrentes, se repetindo praticamente a cada dois anos, com ciclos muito curtos entre preços altos e preços muito baixos pagos ao produtor rural.
O palestrante e consultor afirma que este cenário está associado ao desiquilíbrio entre oferta e demanda. No momento oferta é bem acima do consumo, com sobra de R$ 1,7 bilhão de litros de leite.
Airton Spies demonstra preocupação com a baixa competitividade para exportação. “O ideal é ter um sistema semelhante aos setores da suinocultura, avicultura e gado de corte, sistema em que um terço da produção vai para o mercado externo. Já o leite tem volume importado de 9%, especialmente da Argentina e Uruguai, que produzem leite com custo menor” explica.
De acordo com Airton Spies, o Codesul, bloco que reúne Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, terá reunião no dia 16 de dezembro, em Curitiba, reunindo os governadores. Na oportunidade será debatido o Plano de Desenvolvimento e Incentivos para exportações de lácteos.
O Conselho de Desenvolvimento da Região Sul trabalha em parceria com o BRDE, o Banco Regional de Desenvolvimento Econômico. Conforme o Consultor, Airton Spies, o objetivo é garantir um passaporte para o leite brasileiro para ter uma solução definitiva é preciso ser competitivo no mercado mundial.
Spies menciona que as indústrias e grandes redes de supermercados buscam produtos lácteos em outros países por ter um preço menor que o produto nacional. Ele concorda que medidas emergenciais, que estão em debate para socorrer os produtores neste momento crise aguda, são válidas, porém é preciso adotar medidas de estruturação do setor para transformar em uma cadeia competitiva. “A exportação é a saída” reforça.
O setor leiteiro está passando por uma grande transformação estrutural. Alguns produtores já estão no padrão internacional, mas a grande maioria ainda está bem abaixo do mercado competitivo. De acordo com Airton Spies, o principal detalhe é a redução de custos.
O Relatório da Aliança Láctea Sul Brasileira aponta que nos últimos 10 anos ocorreu uma grande redução de produtores nos três estados do sul. O Rio Grade do Sul passou de 84 mil produtores para 28 mil. Santa Catarina teve queda semelhante, passando de 70 mil para apenas 22 mil produtores de leite. Quem permanece na atividade está aumentando o plantel. Para alguns crescerem outros são excluídos da atividade.
Airton Spies explica que isso é resultado da falta de exportação e não tem solução. “O propósito é de desenvolver a competitividade global do leite brasileiro, semelhante ao que já ocorreu com frango, suíno e gado de corte” conclui.
Fonte: Portal Peperi
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