O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior (sem partido), deixou o Presídio Masculino de Lages nesta quarta-feira, 3, após a Justiça autorizar o político a cumprir prisão domiciliar em decorrência do seu estado de saúde, de acordo com o advogado de defesa, Guilherme Ramos. Segundo ele, o político já está em casa.
O vice-prefeito recebeu alta na última segunda-feira, 1°, e foi direto para a prisão. Ele passou 11 dias internado devido a um acidente de trânsito, no dia 21 de maio, enquanto tentava fugir do cumprimento de uma ordem judicial.
Jair Júnior foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes relacionados à violência doméstica contra a ex-companheira.
Com a decisão desta quarta-feira, conforme o advogado, Jair passará a ser monitorado por meio de tornozeleira eletrônica e ficará sujeito a uma série de regras impostas pelo Poder Judiciário, como o recolhimento domiciliar integral e limites de deslocamento.
Acidente aconteceu entre BMW e caminhão
O acidente aconteceu enquanto o vice-prefeito fugia de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). O político bateu a BMW que dirigia em um caminhão e sofreu ferimentos graves, sendo encaminhado à UTI após passar por cirurgia de emergência.
O acidente ocorreu por volta das 20h, no Km 247 na BR-116, conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram a frente do carro de Jair Júnior destruída pelo impacto.
Jair Júnior passou uma cirurgia ortopédica para tratar a fratura no fêmur e colocar placa e parafusos, além da retirar o fixador externo instalado anteriormente.
Entenda a denúncia contra Jair Júnior
Segundo a denúncia apresentada pelo MPSC, Jair Júnior teria cometido uma série de agressões e atos de perseguição contra a ex-companheira após o fim do relacionamento.
De acordo com o processo, o primeiro episódio de violência física ocorreu em janeiro de 2025, quando ele teria apertado os braços e o rosto da mulher após ela se recusar a publicar uma foto do casal nas redes sociais.
O caso mais grave ocorreu em março, na véspera da prisão em flagrante, do dia 22. Conforme a denúncia, Jair Júnior convenceu a ex-companheira a entrar no carro sob o pretexto de conversar sobre uma reconciliação, mas a levou à força até a casa dele. No local, teria trancado portas e janelas para impedir pedidos de socorro e tentado acessar o celular da vítima em busca de mensagens comprometedoras. Diante da negativa dela em fornecer a senha, ele teria dado tapas no rosto da mulher e pressionado um travesseiro contra a cabeça dela.
Ainda segundo o MPSC, a vítima só foi liberada após prometer que não registraria ocorrência. Mais tarde, incentivada pela irmã, ela procurou a polícia. O Ministério Público também apontou episódios de perseguição, com mensagens insistentes, monitoramento da rotina da vítima e presença frequente em locais onde ela estava.
Jair Júnior também perdeu o mandato
A decisão que condenou Jair Júnior também determinou a perda do mandato eletivo. Dessa forma, a lei prevê que o cargo de vice-prefeito fique vago, de acordo com advogado Paulo Fretta Moreira, especialita em Direito Eleitoral. Não há substituição automática para a função.
Fonte: NSC Total
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