O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior (Sem partido), foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes relacionados à violência doméstica contra a ex-companheira. A sentença, proferida nesta quinta-feira, 21, também determina a perda do mandato eletivo. Para cumprir o mandado de prisão, a Justiça pediu apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em razão de o réu ocupar cargo político e das especificidades da operação.
Durante o cumprimento da ordem judicial, Jair Júnior tentou fugir de carro e acabou colidindo a BMW que dirigia contra um caminhão na BR-116. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital, onde permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Ele está estável, lúcido e orientado.
A condenação atende a uma ação penal ajuizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), após investigação sobre episódios de violência doméstica envolvendo a ex-companheira do político. Segundo o órgão, Jair Júnior foi condenado pelos crimes de lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição.
A denúncia havia sido apresentada pelo MPSC em abril de 2025. O processo tramita sob sigilo judicial.
De acordo com o Ministério Público, a 2ª Vara Criminal de Lages solicitou apoio do Gaeco para o cumprimento do mandado de prisão “em razão das especificidades do caso e da expertise do grupo em diligências envolvendo agentes políticos”.
Ele já havia sido preso no dia 22 de março de 2025 pelo crime, mas foi solto no mesmo dia após uma audiência de custódia e fixação de fiança. A vítima relatou à polícia que o relacionamento durou cerca de um ano e terminou há dois meses, período em que o vice-prefeito não teria aceitado a separação e passou a procurá-la insistentemente.
Entenda a denúncia contra Jair Júnior
Segundo a denúncia apresentada pelo MPSC, o vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, teria cometido uma série de agressões e atos de perseguição contra a ex-companheira após o fim do relacionamento.
De acordo com o processo, o primeiro episódio de violência física ocorreu em janeiro de 2025, quando ele teria apertado os braços e o rosto da mulher após ela se recusar a publicar uma foto do casal nas redes sociais.
O caso mais grave ocorreu em março, na véspera da prisão em flagrante, do dia 22. Conforme a denúncia, Jair Júnior convenceu a ex-companheira a entrar no carro sob o pretexto de conversar sobre uma reconciliação, mas a levou à força até a casa dele. No local, teria trancado portas e janelas para impedir pedidos de socorro e tentado acessar o celular da vítima em busca de mensagens comprometedoras. Diante da negativa dela em fornecer a senha, ele teria dado tapas no rosto da mulher e pressionado um travesseiro contra a cabeça dela.
Ainda segundo o MPSC, a vítima só foi liberada após prometer que não registraria ocorrência. Mais tarde, incentivada pela irmã, ela procurou a polícia. O Ministério Público também apontou episódios de perseguição, com mensagens insistentes, monitoramento da rotina da vítima e presença frequente em locais onde ela estava.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Jair Júnior não havia se manifestado sobre a condenação.
Fonte: NSC Total
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