Um grupo de pais de São Miguel do Oeste está mobilizado contra a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19 em crianças em idade de creche. A principal reivindicação é o direito de decidir se os filhos devem ou não receber o imunizante. “A gente não é contra vacina, só queremos o direito de escolher”, afirmou Cátia Pellegrini, mãe do pequeno Lucca.
Segundo os pais, escolas públicas do município passaram a exigir a atualização da caderneta de vacinação dos alunos, incluindo a dose contra a Covid-19, que foi recentemente incorporada ao calendário vacinal infantil pelo Ministério da Saúde — o que torna sua aplicação obrigatória, conforme determinações legais.
Cátia relatou que, ao se posicionar contra a aplicação do imunizante no filho, foi orientada a assinar um termo de recusa. O problema, segundo ela, é que esse documento acaba sendo interpretado como uma “negação de saúde”, o que pode abrir caminho para punições legais, como advertências e até multas.
“Assinar esse termo é assumir que estamos negando saúde ao nosso filho. Isso nos deixa pressionados e com medo”, afirmou. Ela e o marido, Fabiano Willms, optaram por transferir o filho para uma escola particular, onde, segundo dizem, a exigência ainda não é feita com a mesma rigidez.
O que diz a Secretaria de Saúde
Em entrevista à Rádio Peperi, a secretária municipal de Saúde, Camila Bernardi, explicou que o município apenas cumpre determinações federais. “A vacina foi incluída no calendário vacinal pelo Ministério da Saúde. Isso torna a aplicação obrigatória. Não temos autonomia para mudar essa regra”, disse.
Camila explicou ainda que os pais que se recusam a vacinar os filhos devem assinar o termo de recusa, o que aciona automaticamente o Conselho Tutelar, que por sua vez informa o Ministério Público. O procedimento está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Sobre a diferença de exigência entre escolas públicas e privadas, a secretária afirmou que, por ora, a verificação das carteiras de vacinação começou pelas instituições públicas, mas será estendida às particulares.
Audiência pública
Preocupada com a aplicação do Plano Nacional de Imunização (PNI) nos educandários de São Miguel do Oeste, a vereadora Cris Zanatta (PSDB) apresentou o Requerimento 13/2025, aprovado pela Câmara Municipal nesta quinta-feira, 24.
A proposta é realizar uma audiência pública para ouvir pais, professores e toda a comunidade escolar sobre o tema. A votação contou com aprovação da maioria, mas teve abstenção dos vereadores Adilson Pandolfo e Ana Flávia Moreira. A data da audiência ainda será anunciada.
Audiência deve contar com a presença de médicos e representantes de movimentos nacionais contrários à obrigatoriedade da vacinação infantil contra a Covid-19. “São mais de 20 cidades já mobilizadas no país. A gente quer que a região se una para que a vacinação seja opcional”, destacou Cátia.
Fonte: Portal Peperi
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