A venda de carros zero quilômetro em Santa Catarina teve alta de 14,8% entre abril e maio, no segmento de automóveis e veículos comerciais leves, como picapes. O bom desempenho, no entanto, apenas reduz o tamanho da queda nas vendas em 2022. No acumulado do ano, o Estado tem até agora o menor número de vendas de automóveis novos em ao menos sete anos.
De janeiro a maio, SC teve 33,2 mil carros vendidos em 2022. O número é 18% menor em comparação com o mesmo período de 2021, quando foram vendidas 40,8 mil unidades, também no grupo de automóveis e comerciais leves. Os números são da Federação Nacional de Distribuição dos Veículos Automotores de Santa Catarina (Fenabrave-SC).
Em 2018 e 2019, antes da pandemia, o Estado teve um patamar de cerca de 50 mil automóveis e comerciais leves vendidos entre janeiro e maio. Em 2020, já durante a crise da Covid, o número caiu para 36,5 mil. Em 2021, oscilou para cima, mas agora volta a ter queda no desempenho até maio.
O diretor regional da Fenabrave-SC, Marcos Paulo Marcílio, afirma que a redução em relação a anos anteriores ainda se deve em grande parte à falta de componentes nas fabricantes de automóveis e à escassez de veículos prontos para a venda. A alta no preço dos veículos e na taxa de juros também causam impacto.
Apesar disso, ele afirma que o setor já vem sentindo uma volta do equilíbrio e argumenta que há um atraso na visualização disso nos números. Isso porque os dados refletem a quantidade de emplacamentos. Segundo o dirigente, há vendas feitas em março e abril, por exemplo, mas que ainda não foram emplacados porque os clientes aguardam a entrega dos carros.
— Para você emplacar um carro em maio, tem que estar com o carro pronto em abril. Para estar pronto em abril, você precisa ter os componentes em março. Tem um efeito de retardo. Existem carros vendidos, mas ainda não emplacados, porque o carro não chegou para o cliente — aponta.
O setor de fato tem motivos para se animar com uma reação na sequência de 2022. O principal motivo é o desempenho de maio. O crescimento de 14,8% no mês foi o maior do ano, assim como o número de unidades vendidas — 7,7 mil. O resultado já baixou a diferença no acumulado do ano em relação a 2021, que em abril era maior, de 22%.
O diretor regional da Fenabrave-SC diz que a presença de três dias úteis a mais em maio contribuiu, e destaca que o desempenho foi superior em todas as categorias, incluindo, motos, ônibus e implementos rodoviários. Para ele, o crescimento de maio não foi pontual.
— Entendemos que o mercado está se acomodando. Os aumentos de preço tendem a ter um certo equilíbrio. Mas a gente, principalmente as montadoras que têm lançamentos modernos e atuais, percebem que eles estão passando melhor pela cabeça, pelo desejo do consumidor — afirma.
Quando considerado também o mercado de outros veículos, como ônibus, motos e caminhões, o crescimento das vendas no último mês em SC é semelhante, de 13,5% entre abril e maio. Já no acumulado do ano também há queda nos negócios, embora menor: -8,5%. A queda nos automóveis é compensada pelos segmentos de ônibus, que teve alta de 86%, e de motos (+24,5%).
Outra ressalva do dirigente é que, em faturamento, o resultado de 2022 não é inferior aos anos anteriores. Isso porque, com o aumento no preço dos carros, o ticket médio das vendas também subiu bastante, o que ajuda no resultado financeiro.
Para a sequência de 2022, o dirigente afirma que o setor ainda mantém a expectativa de crescimento de 5%.
A venda de carros novos enfrenta dificuldades durante o período da pandemia. Situações como a crise dos semicondutores, que chegou a fazer montadoras interromperem a produção e ficarem sem estoque, elevaram os preços dos carros zero quilômetro. O contexto dificultou a troca de carro em um período de inflação, alta nos juros e perda no poder aquisitivo das famílias. Nesse cenário, a venda de carros zero caiu 8% no ano passado em SC.
Pela alta nos preços, uma parcela dos compradores migrou para os seminovos e usados, que consequentemente também tiveram valorização, de até 30% nos preços. Em Santa Catarina, esse mercado também teve aumento nas vendas entre abril e maio: 23% no setor de automóveis e comerciais leves. Os dados são da federação nacional dos revendedores de veículos (Fenauto).
No entanto, até mesmo entre os seminovos o desempenho do acumulado do ano está menor em 2022 do que no ano passado. A queda nas vendas dos revendedores é maior, de -22%, na comparação com o mesmo período de 2021.
Fonte: Portal Peperi
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