Em 2024, Santa Catarina recebeu 17.185 mil denúncias pelo número 180, principal canal de denúncia do governo federal para casos de violência contra a mulher. Os dados representam um aumento de 15,5% em comparação com 2023, quando foram registrados 14.875 mil ligações. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o Estado registrou 96.481 mil casos de violência doméstica no último ano.
A partir dessas ligações, as informações são reunidas em um documento em Brasília e encaminhadas para Santa Catarina. De acordo com o delegado geral da Polícia Civil do Estado (PCSC), Ulisses Gabriel, após o recebimento dos dados, a delegacia instaura um inquérito policial para apurar o crime ou instaura uma verificação de procedência da informação, quando há menos dados e detalhes.
— A mulher acaba sendo demandada para prestar depoimento com apoio das psicólogas policiais. Nós também ouvimos os vizinhos, se for uma situação, por exemplo, de lesão que o cidadão teria perpetrado num final de semana e teria videomonitoramento, no condomínio, ou na rua, ou no estabelecimento comercial, que eventualmente eles estivessem quando ocorreu a agressão — explica o delegado.
Em Santa Catarina, a Polícia Civil desenvolveu o Sistema Único de Denúncias, programa automático que trabalha com inteligência artificial. Dessa forma, assim que a denúncia é recebida, ela é encaminhada imediatamente para a delegacia responsável por aquele caso.
— Nós temos o nosso WhatsApp Denúncia. Temos os formulários que estão na delegacia virtual da Polícia Civil de Santa Catarina e também temos o número 181, que é um disque denúncia estadual que recebe as informações. Nós temos também diversas ações que são realizadas pela psicologia da Polícia Civil de Santa Catarina para fazer com que a mulher crie coragem em realizar a denúncia.
Motoboys de delivery serão treinados para atuar no combate à violência contra mulher em SC
Os órgãos relacionados à segurança pública pensam em ações para ampliar o acesso das mulheres à denúncia. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por exemplo, firmou um acordo com entregadores de aplicativos para identificar quando a vítima precisa de ajuda.
A ação faz parte do Programa Sinal Vermelho, criado em2020, e que ganhará reforço de 400 mil motoboys pelo Brasil, que serão treinados para identificar o “X” na mão da mulher, código usado para
— O entregador é que faz o contato com o 190, dá as descrições da vítima, o lugar que ela está, o lugar da entrega e a polícia é acionada imediatamente.A gente acredita que vai estar mais próximo das pessoas, até porque esses pedidos são feitos em casa. Vamos estar entrando na casa com a possibilidade de ela estar fazendo a denúncia rápida, pedindo esse socorro, quando o aplicativo de entregas é acionado — explica Renata Gil, conselheira do Conselho Nacional de Justiça.
Fonte: Portal Peperi
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