Safra de grãos é estimada em 358,6 milhões de toneladas

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Safra de grãos é estimada em 358,6 milhões de toneladas
Foto: CNA, Wenderson Araujo

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) elevou em 600 mil toneladas a estimativa para a safra brasileira de grãos 2025/26, para 358,6 milhões de toneladas. Caso o volume se confirme, será o maior já registrado no país.

A nova projeção representa aumento de 0,2% em relação ao levantamento divulgado em maio e crescimento de 1,8%, ou 6,4 milhões de toneladas, na comparação com a safra anterior.

A revisão em relação ao levantamento de maio foi influenciada principalmente pelos resultados de produtividade observados após a conclusão das colheitas da soja, do arroz e do feijão da primeira safra.

No período analisado pela Companhia, as culturas de primeira safra estavam praticamente colhidas, com exceção de parte das áreas de milho. As lavouras de segunda safra encontravam-se, em sua maioria, nas fases de enchimento de grãos, maturação e início da colheita. Já as culturas de terceira safra e de inverno estavam em fase de plantio.

A área cultivada total foi estimada em 83,5 milhões de hectares, crescimento de 2,2% em relação à safra anterior, o que representa expansão de 1,8 milhão de hectares. O avanço foi impulsionado principalmente pela soja, que ampliou sua área em 2,6%, equivalente a 1,2 milhão de hectares; pelo milho, com aumento de 3,4%, ou 744 mil hectares; e pelo sorgo, cuja área cresceu 31,7%, correspondendo a 516,6 mil hectares.

Soja

No início de junho, a colheita da soja da safra 2025/26 havia alcançado 99,71% da área estimada. Os trabalhos ainda seguiam em algumas áreas do Pará, Maranhão e Santa Catarina.

De acordo com a Conab, apesar da ocorrência de períodos de falta e excesso de chuvas em algumas regiões, as produtividades foram consideradas satisfatórias na maior parte dos estados. Pará e Bahia registraram os maiores índices de produtividade de suas séries históricas.

A área cultivada com soja foi estimada em 48,56 milhões de hectares, enquanto a produtividade média deve alcançar 3.712 quilos por hectare. A produção está projetada em 180,2 milhões de toneladas, volume 5,1% superior ao obtido na safra 2024/25 e o sétimo recorde registrado nas últimas dez safras.

Milho

A colheita da primeira safra de milho atingiu 87,7% da área semeada. Os trabalhos ainda ocorrem na região do Matopiba e estão próximos da conclusão em Minas Gerais e Goiás.

Segundo a Companhia, a redução das precipitações durante maio favoreceu a perda de umidade dos grãos e o avanço da colheita. As produtividades permanecem elevadas nos estados produtores, com destaque para Goiás, Minas Gerais e Paraná.

A produção da primeira safra de milho está estimada em 29,3 milhões de toneladas, crescimento de 17,7% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média prevista é de 7.110 quilos por hectare.

Trigo

A produção de trigo foi estimada em 6,3 milhões de toneladas, volume 20% inferior ao registrado na safra passada. A redução é atribuída principalmente à menor área cultivada no Rio Grande do Sul e no Paraná, principais estados produtores do cereal.

Em comparação com o levantamento anterior, a projeção também apresentou recuo, influenciada pela redução da produtividade em Goiás e por ajustes de área observados principalmente no Paraná e em Santa Catarina.

A semeadura da cultura já foi iniciada em todas as regiões produtoras do país. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os trabalhos avançam em ritmo mais intenso. No Paraná, o plantio se aproxima da metade da área prevista. Em Mato Grosso do Sul e São Paulo, a implantação das lavouras foi concluída, enquanto em Minas Gerais e Goiás os trabalhos estão em fase final.

Algodão

A produção de algodão em pluma na safra 2025/26 está estimada em 4 milhões de toneladas, volume 2,5% inferior ao registrado no ciclo anterior. Em relação ao levantamento de maio, a Conab elevou a projeção de produção após observar ganhos de produtividade em estados produtores como Bahia, Piauí e Mato Grosso, apesar de ajustes que reduziram a área cultivada, especialmente em território mato-grossense.

Arroz e feijão

A colheita do arroz está praticamente concluída. A Conab confirmou a redução da área plantada em relação à safra passada, movimento atribuído principalmente às condições de mercado e aos custos de produção. Apesar da menor área cultivada, o desenvolvimento das lavouras foi considerado satisfatório, resultando em bons rendimentos. A área de arroz irrigado foi estimada em 1,25 milhão de hectares, enquanto o cultivo de sequeiro recuou para 265,4 mil hectares.

Já a colheita da primeira safra de feijão foi finalizada. Segundo a Companhia, as condições climáticas foram favoráveis durante boa parte do ciclo, embora o atraso no início das chuvas tenha afetado o calendário de plantio e limitado parte do potencial produtivo da cultura. Ainda assim, a produtividade média ficou acima da registrada na safra anterior. A área destinada ao cultivo apresentou redução em comparação com 2024/25, influenciada por fatores de mercado, condições climáticas e questões fitossanitárias.

Fonte: CNN Brasil

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