O futebol de verdade, aquele com público, barulho, tambores, aplausos e vaias, pipoca e refri, avós, pais e filhos, amigos e desconhecidos rumando para o mesmo lugar, voltou para os colorados de uma forma que nem o mais otimista imaginava. As únicas diferenças eram o distanciamento, por causa da limitação de 30% da capacidade de público, o uso de máscaras e o fato de não poder abraçar desconhecidos. E teriam sido muitos.
O Inter aplicou 5 a 2 na Chapecoense, pela 25ª rodada do Brasileirão, com três gols de Yuri Alberto, um de Taison e outro de Matheus Cadorini.
Desde o início da manhã, era possível ver os colorados caminhando em direção ao estádio. Pudera, foram 581 dias sem poder ocupar as arquibancadas. E após as confraternizações, fez bem quem entrou cedo no estádio. Porque o Inter de Aguirre lembrou aquele de 2015. Teve um início arrasador.
Na sexta-feira (8), Yuri Alberto havia dito que seu sonho era fazer um gol no estádio e correr para a torcida, já que seria seu primeiro jogo com público. Realizou em 69 segundos. Nem todo mundo tinha entrado no Beira-Rio ainda quando Mauricio armou da direita para o meio, ganhou na dividida do defensor da Chape e bateu. O goleiro defendeu, a bola bateu na trave e sobrou para Patrick, que chutou prensado no zagueiro, novamente João Paulo espalmou e Yuri, centroavante, estufou a rede. Então correu para a torcida.
O jogo recomeçou, e a Chape fez brilhar outro candidato a ídolo entre os colorados. Bruno Silva arrancou pela esquerda e bateu. A bola desviou em Cuesta, e Daniel voou para espalmar. Aplausos no Beira-Rio.
Dois minutos depois, aos cinco, outro momento mágico. Fazia 11 anos que Taison não jogava no Beira-Rio a favor do Inter com a torcida. Desde a primeira entrevista, havia falado sobre esse reencontro. Pois o capitão, camisa 10, correu pela direita enquanto Patrick arrancava pela esquerda com a bola dominada. O Pantera cruzou, Taison dominou e fuzilou: 2 a 0.
O resultado tão cedo, que, aliás, nem todos viram ser construído, deixou o jogo do jeito que o Inter gosta. A Chape se atirava para tentar reduzir a diferença, o time de Aguirre fechava os espaços e, a partir da recuperação da bola, partia em velocidade para o contra-ataque. Mauricio, Taison, Yuri Alberto e Patrick comandavam as ações. Aos 25, Yuri foi derrubado na entrada da área. Cuesta cobrou do lado do goleiro, João Paulo defendeu.
O jogo parou para reidratação aos 28. Na volta, o Inter teve duas chances claríssimas. Primeiro Patrick cruzou na medida para Yuri Alberto. Desta vez ele não foi centroavante. Poderia muito bem ter concluído a gol, mas tentou passar para o meio e errou o passe. Na sequência, Cuesta fez seu famoso cruzamento com efeito procurante, Mauricio, livre, cabeceou por cima.
Yuri voltou a ser centroavante aos 35. Taison, pelo meio, fez jogada de camisa 10. Yuri, mesmo com a 11, foi um 9 perfeito. Na frente do goleiro, o artilheiro colorado tirou João Paulo com um toque de biquinho: 3 a 0.
Lembram como os primeiros dois gols não haviam sido vistos por muitos torcedores que ainda entravam no estádio? Yuri Alberto tratou de dar esse gostinho a quem ainda estava do lado de fora. Moisés deu um drible desconcertante pela esquerda, deixou o lateral adversário sentado, e cruzou. A zaga afastou exatamente onde estava o centroavante, que empurrou para a rede. Em 38 minutos, 4 a 0 para o Inter.
Ainda antes do intervalo, deu tempo para mais um. Cuesta armou tudo. Primeiro deixando Moisés em condições de cruzar. A zaga afastou. O argentinou pegou a bola novo, entrou na área a dribles e passou para Yuri Alberto completar. O 5 a 0 foi anulado, porém, por um chamado do VAR, que detectou falta de Cuesta na origem da jogada.
_ Para falar a verdade, treinei uma só. Estou feliz demais, essa torcida é maravilhosa _ disse o centroavante Yuri Alberto, naquela que seria sua última participação na partida.
Isso porque Aguirre, com a vantagem, preservou três jogadores, todos pendurados com dois cartões amarelos, e nem voltou com eles do intervalo. Saíram Saravia, Rodrigo Dourado e Yuri Alberto, entraram Heitor, Boschilia e Matheus Cadorini.
Com as trocas, o Inter começou o segundo tempo ainda acelerado. Cuesta cobrou falta da entrada da área e João Paulo espalmou. Depois, Patrick chegou um pouco atrasado em duas bolas que cruzaram a área.
Dava tudo tão certo nesta manhã que, aos 12 minutos, o subsituto de Yuri brilhou. Escanteio da esquerda. Taison ia cobrar, mas mudou de ideia. Chamou Heitor. O lateral atravessou o campo e bateu em curva. Matheus Cadorini, 1m92cm, saltou meio corpo a mais do que a defesa e torneou de cabeça: 5 a 0.
Aguirre mexeu na equipe pela quarta vez logo na sequência: Patrick, cansado, deixou o campo para a entrada de Gustavo Maia. De vaiado nos alto-falantes, o camisa 88 saiu aplaudido.
Aos 15, a primeira falha da defesa colorada virou gol de honra para a Chape. Após cruzamento da esquerda, nem Bruno Méndez nem Cuesta cortaram, Mike dominou e bateu sem chances para Daniel.
Pouco depois do gol, o Inter quase ampliou. Taison iniciou a jogada, abriu para Heitor, que deu a Boschilia. Ele cruzou e Gustavo Maia, sozinho, de cabeça, fez João Paulo trabalhar.
Logo depois, outra cena bonita. Aguirre fez a última troca, tirando Taison e colocando Paulo Victor. O camisa 10 também realizou seu sonho: o estádio inteiro levantou e o aplaudiu de pé.
Aos 36, a Chape voltou a ir às redes. Após cruzamento da esquerda, Mike bateu de primeira, longe de Daniel: 5 a 2. Bruno Silva ainda teve outra oportunidade para diminuir, depois de ganhar de Bruno Méndez e ficar cara a cara com Daniel, mas chutou para fora.
Desatenções à parte, foi um dia de festa. Domingo de manhã, sol, calorzinho, adversário lanterna e goleada. Para quem não foi ao Beira-Rio, quarta-feira tem de novo.
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Fonte: Portal Peperi
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