Um importante passo para a saúde pública e a agricultura familiar do Oeste catarinense foi dado nesta sexta-feira, 10, com o lançamento do projeto de implantação de um laboratório fitoterápico no município de Campo Erê. A iniciativa, de autoria do deputado Padre Pedro Baldissera, prevê um investimento total de R$ 4,5 milhões, sendo R$ 2 milhões já destinados para a fase inicial.
O evento de lançamento aconteceu às 14 horas, no Centro de Eventos, reunindo autoridades e lideranças regionais. A prefeita de Campo Erê Rozane Moreira, que também preside o Consórcio Intermunicipal da Região do Rio Sargento de Integração Municipal (CRESIM), é uma das principais incentivadoras da proposta, que envolve desde a produção de mudas medicinais, com a construção de viveiros, até a implantação do laboratório farmacêutico.
O objetivo do projeto é ampliar o uso de medicamentos fitoterápicos, inclusive à base de cannabis, como alternativa aos remédios químicos tradicionais. A proposta prevê que os produtos sejam disponibilizados gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), em formatos como pomadas, cápsulas e gotas.
O consórcio CRESIM, que tem sede em Campo Erê e engloba os municípios de Anchieta, Saltinho, São Bernardino e Santa Terezinha do Progresso, já mantém serviços como a Casa Lar e o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), fortalecendo a atuação regional na área da saúde.
De acordo com a prefeita Rozane, o projeto também busca mudar a percepção da população sobre tratamentos, destacando que nem apenas medicamentos químicos são eficazes. A iniciativa conta ainda com a parceria da Universidade Federal da Fronteira Sul, que dará suporte técnico e científico.
A estrutura do laboratório ainda está em definição, com duas áreas sendo avaliadas para sua instalação: na comunidade 12 de Novembro ou no centro da cidade. Antes disso, será necessária a contratação de um profissional farmacêutico para identificar a demanda regional e orientar a produção dos medicamentos com maior saída.
O projeto será desenvolvido em etapas. Na primeira fase, ocorre o cultivo das plantas medicinais, com expectativa de produção ainda este ano. Já a segunda etapa contempla a implantação da estrutura farmacêutica-industrial, prevista para os próximos anos. A meta é que todo o ciclo — do plantio à produção dos medicamentos — esteja completo até 2027.
Além de fortalecer o sistema público de saúde, a proposta também deve impulsionar a agricultura familiar, criando um arranjo produtivo que integra pequenos agricultores em todas as etapas, desde o cultivo até a transformação final dos produtos. Segundo o deputado Padre Pedro, o modelo poderá futuramente ser replicado em outras regiões e setores produtivos de Santa Catarina.
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