Os dados sobre o desempenho do comércio varejista em agosto vieram pior do que o esperado em Santa Catarina e no Brasil, o que afetou empresas do setor na bolsa e reduziu o otimismo sobre a retomada econômica pós-vacina. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) feita pelo IBGE apurou que no estado o volume de vendas do varejo restrito teve queda de 10,1% em agosto frente a julho, na série com ajuste sazonal. O varejo ampliado, que inclui materiais de construção e veículos, recuou 6,5% no período. No Brasil o varejo restrito caiu 3,1% frente a julho e o ampliado recuou 2,5%.
A Fecomércio atribuiu a queda à aceleração das altas de preços que corroem o poder de compra dos consumidores. Segundo o economista da entidade, Alison Fiúza, a pesquisa sobre o nível de consumo atual das famílias de SC mostrou redução de 17,9% frente a julho, o que comprova esse comportamento.
Na sondagem, 90% dos consumidores informaram que estavam comprando menos. Uma prova dessa acomodação é que somente 36,5% das famílias estavam endividadas em agosto. Isso permite concluir que o consumidor parou de comprar, mesmo tendo condições de gastar um pouco mais.
Mesmo com esse recuo, segundo Fiúza, o varejo restrito de SC segue 6,3% acima do período pré-pandemia. No acumulado de 12 meses, o volume de vendas cresceu 5,8% e, entre janeiro e agosto, teve alta de 4,6%. Nos últimos 12 meses até agosto, SC registrou alta de 5,8% no varejo restrito e 11,6% no ampliado.
Em agosto frente ao mês anterior, em receita nominal, SC teve queda de 8% no varejo restrito e de 4,8% no varejo ampliado. Frente ao mesmo mês de 2020, a receita cresceu 15,4% no varejo restrito e 24,1% no ampliado. No acumulado do ano, a receita nominal do varejo restrito cresceu 18,6% e do ampliado, 29,1%.
Um dado destacado pela Fecomércio é o desempenho do setor de hipermercados, supermercados, bebida e fumo, que teve queda de 2,1% em agosto frente ao mesmo mês de 2020 após fechar 2020 com alta de 14,2%. No ano, o setor registra recuo de 1,9% nas vendas.
Boa parte dos setores teve queda em agosto frente ao mesmo mês de 2020: tecidos vestuário e calçados (-11,8%), móveis (8,3%), eletrodomésticos (-5,7%), outros itens de uso pessoal e doméstico (-0,5%). Nessa mesma comparação, tiveram alta livros, jornais, revistas e papelaria (36,7%), equipamentos e materiais de escritório e informática (32,6%), artigos farmacêuticos (16,7%), combustíveis e lubrificantes (1,8%). Os veículos e peças tiveram alta de 43% e materiais de construção, de 40,3% frente ao mesmo mês do ano anterior.
Como a inflação continua alta, o ritmo de consumo seguiu baixo em setembro. Em SC, os setores que mais tiveram alta na arrecadação de impostos no mês foram automóveis e peças, têxteis e materiais de construção, o que dá para concluir que apresentarão crescimento também no levantamento do IBGE.
Fonte: Portal Peperi
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