Indústrias de SC usam Paraguai como apoio à produção e mantêm investimentos no Estado

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Indústrias de SC usam Paraguai como apoio à produção e mantêm investimentos no Estado

Empresas brasileiras têm ampliado operações no Paraguai atraídas por incentivos fiscais, simplificação tributária e custos de produção menores. Apesar do movimento, empresários e especialistas avaliam de formas diferentes o risco de uma eventual perda de indústrias e empregos no Brasil.

Para o advogado tributarista Ivson Coêlho, existe o risco de o movimento contribuir, no futuro, para o esvaziamento do parque industrial brasileiro. Ele pondera, porém, que ainda é cedo para determinar os impactos

“Vai depender muito de política econômica e internacional, de negociações, de acordos, da manutenção ou não desses benefícios fiscais”, afirma.

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maitê Bustamante, avalia que é necessário analisar cada caso. Segundo ela, com raras exceções, empresas catarinenses não transferiram toda a cadeia produtiva ou a tecnologia para o Paraguai.

As companhias têm utilizado o regime de Maquila principalmente para instalar etapas específicas da produção.

“A desindustrialização é quando efetivamente uma indústria fecha as portas, transfere-se para outro lugar e começa a fabricar 100% naquele país. Não é o caso”, afirma Maitê.

Operações complementares

A Karsten é uma das empresas que mantém produção no Paraguai. Segundo o presidente da companhia, Márcio Bertoldi, a unidade funciona como apoio à operação brasileira e não representou redução dos investimentos em Santa Catarina.

Em junho, a empresa anunciou investimento de R$ 4 milhões na aquisição de máquinas de tecnologia alemã para produção de tecidos felpudos. Outros 24 teares importados do Japão também devem reforçar a unidade brasileira.

No Paraguai, a empresa busca reduzir custos e facilitar a internacionalização, inicialmente com produtos mais básicos. Bertoldi avalia que a indústria têxtil paraguaia ainda precisa avançar em conhecimento técnico para competir em igualdade com o Brasil.

A Altenburg segue estratégia semelhante. Segundo o presidente da companhia, Tiago Altenburg, itens básicos são fabricados no Paraguai, enquanto produtos de maior valor agregado, como edredons, são finalizados no Brasil.

“É uma visão distorcida achar que o Paraguai é o problema”, afirma.

Operação não é vantajosa para todas as empresas

Apesar dos incentivos fiscais e dos custos menores, a transferência de etapas da produção para o Paraguai não é considerada vantajosa para todos os modelos de negócio.

A Posthaus chegou a estudar o regime de Maquila para a marca de moda feminina Quintess, mas decidiu manter a produção no Brasil.

A empresa possui uma área própria de inteligência e criação, enquanto a confecção é realizada por parceiros terceirizados da região. Como trabalha com peças em menor escala e alta rotatividade de lançamentos, a proximidade dos fornecedores foi considerada mais importante.

Segundo o diretor comercial do Grupo Posthaus, Robson Parzianello, a marca deve lançar cerca de 900 produtos neste ano.

“É um modelo mais dinâmico. Quando avaliamos montar uma fábrica lá, não fez muita diferença no nosso custo de hoje”, explica.

Parzianello também afirma que os custos trabalhistas são menores no Paraguai, apesar de o salário mínimo ser proporcionalmente maior. Segundo ele, o aumento da instalação de empresas também ampliou a procura por trabalhadores e pressionou salários em algumas áreas.

“Hoje a precificação se elevou e já existe uma disputa, até uma certa escassez em algumas áreas”, avalia.

Os relatos das empresas mostram que a decisão de produzir no Paraguai depende das características de cada operação. Enquanto algumas utilizam o país para etapas específicas da produção, outras consideram mais vantajoso manter fornecedores e fabricação no Brasil.

Fonte: NSC Total

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