Um homem acusado pela própria esposa de tê-la estuprado foi morto dentro do presídio municipal de Lages no dia 2 de janeiro deste ano, onde cumpria pena pelo ato. Após seis meses de investigações, a DIC/PCSC (Divisão de Investigação Criminal da Polícia Civil de Santa Catarina) concluiu o inquérito policial e indiciou 11 detentos pelo homicídio.
Sete dos responsáveis irão responder pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. Outros quatro foram indiciados por falso testemunho, de acordo com o delegado responsável pelo caso, Tiago Escudero. As penas foram divulgadas nesta segunda-feira, 27.
Ao ND+, Escudero comentou que crime de estupro não é aceito entre os detentos nas prisões. Por conta disso, aqueles que respondem por tais denúncias são alocados em celas separadas, a fim de não correrem risco de vida. Neste caso, não foi isso que ocorreu.
O delegado informou que quando o homem foi levado à sua cela disse não ter problema ficar entre os demais presos, omitindo o crime de estupro.
Entretanto, uma organização criminosa que atua no sistema penitenciário catarinense descobriu o motivo pelo qual ele estava cumprindo pena e ordenou sua morte. Foi assim que durante a madrugada do dia 2 de janeiro a vítima foi encontrada morta, enforcada na janela da cela.
De acordo com as Polícias Civil e Científica, a cena do crime sugeria que o homem teria praticado suicídio. No entanto, marcas no corpo apontavam que ele teria sido alvo de um homicídio. Descobriu-se, então, que o homem foi dominado e estrangulado pelos demais presos.
Durante o estrangulamento, panos molhados para abafar os gritos foram colocados na boca do homem, informou o delegado. Com a falta de ar ocasionada pelo sufocamento, ele morreu instantaneamente. Na sequência, ele foi pendurado na janela, simulando o ato de suicídio.
Para descobrir quem havia cometido o crime, perícias foram feitas no corpo da vítima, na cela e também nos demais presos da penitenciária. Depoimentos dos detentos também foram colhidos. De acordo com o delegado, um dos deles confessou falsamente pelo crime.
“Ele montou uma história que não batia com os fatos. Mas é comum eles fazerem isso, um deles assume a culpa para livrar os outros porque foi obrigado ou então para ganhar fama na cadeia”, esclarece. Os outros 12 detentos que dividiam a cela com a vítima também foram ouvidos.
O delegado afirmou que eles tentaram encobrir o crime, dizendo que tinham sono pesado e que não havia escutado a briga que antecedeu a morte, nem os gritos do homem. “A cela estava toda ocupada, então isso não era verdade”, diz o delegado.
“Apenas um deles, que mencionou utilizar medicamentos antes de dormir, tinha de fato um motivo para não ter ouvido nada”, completa o delegado.
Apesar disso, os laudos obtidos pelos policiais constataram quem eram os responsáveis pelo homicídio, visto que as mesmas lesões encontradas no homem, como marcas de cordas, também estavam presentes naqueles que cometeram o assassinato.
Fonte: Portal Peperi
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