O governo de Santa Catarina poderá ser multado caso não ofereça atendimento a crianças e adolescentes que aguardam por um leito de UTI em até 12 horas. A decisão da Justiça atende a um pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), devido à crise de saúde pública vivida no Estado.
Na ação, o MPSC solicitava que o Estado fosse multado em R$ 100 mil caso não cumpra a decisão. Porém, ao conceder em parte o pedido, a juíza Brigitte Remor de Souza May decidiu que as sanções, inclusive as multas, sejam estabelecidas de acordo com cada caso.
Além disso, o governo estadual terá que fornecer diariamente ao MP a lista de solitações de vagas, com a identificação dos pacientes.
Outro pedido, que também foi acatado pela Justiça, é que o Estado apresente em até 48 horas a relação de leitos ativos de enfermaria e UTIs pediátricos e neonatais da rede privada estadual.
De acordo com o subprocurador-geral para assuntos institucionais do MP, Alexandre Estefani, a falta de leitos no Estado tem sido acompanhada há pelo menos três meses pela promotoria. A ação, no entanto, só foi ajuizada após as medidas apresentadas pelo governo do Estado durante as reuniões não se mostrarem suficientes.
— Não houve outra alternativa se não a ação judicial. Mesmo a programação do estado, imaginando a ampliação, não se mostrou suficiente. Mesmo que tenha se ampliado a oferta, hoje e na última semana, crianças estão sem poder acessar o atendimento quando necessitava. É um direito básico de saúde e algo que o MP não pode aceitar — explica.
De acordo com o MP, outra medida enfatizada é o aumento no percentual de vacinação de crianças, medida que também foi compartilhada pelo governo estadual. Isto porque a cobertura vacinal das crianças está bem abaixo dos mínimos estabelecidos, não só em relação a gripe, mas também de outras doenças.
— Um grupo de trabalho foi formado para ampliar campanhas, fazer vacinação nas escolas, além da necessidade de fortalecer o atendimento primário — explica o promotor Douglas Martins, Coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MPSC.
A respeito da atenção básica, a promotoria afirma que também solicitou um levantamento da quantidade de profissionais que estão empenhados a atender essas crianças.
— A medida [a ação] é emergencial. Não se pode admitir que nenhuma criança fique sem o leito. Todo o suporte que ela precisa deve ser garantido — afirma Douglas Martins, Coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MPSC.
O processso também busca apurar a responsabilidade das mortes de crianças por falta de estrutura de saúde. Em Florianópolis, por exemplo, duas crianças morreram em um mês à espera de uma vaga de UTI.
Sobre isso, o MP afirmou que o caso será apurado com cautela e, se tiver uma punição, não será leviana. Porém, a investigação sobre os motivos que levaram as mortes será feita com responsabilidade, afim de identificar os fatores que levaram o óbito.
— É preciso que essa apuração seja feita com cuidado para identificar as falhas e onde elas aconteceram. Essas crianças tiveram atendimentos na rede de saúde ao longo dos dias. Todos precisam ser objeto de apuração — explica o promotor Douglas Martins, Coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MPSC.
Ainda segundo a promotoria, não há informações, no momento, de outras mortes que tenham ocorrido em decorrência da falta de vagas.
Sobre as situações que envolvem hospitais que foram fechados - como o de atendimento pediátrico em São José, que era para ser aberto há algumas semanas - que tem contribuído para a sobrecarga dos demais hospitais, o MP pontuou que as situações estão sendo apuradas pelas promotorias de cada região.
Já sobre a falta de itens básicos, a 10º Promotoria recebeu uma representação nesta quinta-feira (14) sobre o assunto e, agora, vai solicitar informações da Secretaria de Estado da Saúde, para entender se há, realmente, a falta dos insumos no hospital.
Os autores da ação são os promotores Douglas Martins, Coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MPSC; João Luiz de Carvalho Botega, Coordenador do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do MPSC; e Alexandre Estefani, Subprocurador-Geral para Assuntos Institucionais do MPSC.
O Diário Catarinense entrou em contato com o governo do Estado, que informou que ainda não foi intimado e, por isso, não irá se manifestar no momento.
Nesta quinta-feira, 99,48% dos leitos de UTI neonatal estavam ocupados segundo dados do Painel de Leitos da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Apenas uma vaga estava disponível, no Planalto Norte e Nordeste. Já em relação aos pediátricos, a taxa de ocupação era de 91,53%, com 10 leitos disponíveis.
Fonte: Portal Peperi
Grêmio sai na frente, mas Bragantino busca empate na Arena
Saer transfere idoso de São João do Oeste para Hospital de Xanxerê em 25 minutos
Lula zera imposto e subsidia diesel para conter alta do petróleo
Prefeitura de SMO discute com DNIT melhorias no trevo da BR-282 com a SC-163
Réu pela morte de Catarina Kasten depõe em audiência e responde apenas à defesa
Patrimônio de Vorcaro cresceu R$ 1,2 bilhão em um ano, revelam declarações ao IR
Após problemas em Itapiranga, Corpo de Bombeiros lança aplicativo para acionar 193
ADEFISMO realiza assembleia para eleger nova diretoria em São Miguel do Oeste
Começa nesta quinta-feira o Liquida Inverno Iporã