Apesar da sinalização de abertura ao diálogo por parte dos Estados Unidos, o governo brasileiro mantém uma postura cautelosa frente ao chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ligar para ele “a qualquer momento” para discutir tarifas e outros conflitos comerciais. No entanto, Trump também criticou a atual gestão brasileira, afirmando que “as pessoas que governam o Brasil fizeram coisas erradas”, o que acendeu um sinal de alerta no Itamaraty.
A diplomacia brasileira avalia com prudência uma eventual ligação entre os presidentes, temendo que Lula seja destratado ou desrespeitado. A orientação é ajustar cuidadosamente o tom e o conteúdo da conversa antes de qualquer contato direto.
Em resposta, Lula afirmou que o Brasil segue aberto ao diálogo, mas que neste momento o foco do governo é proteger a economia nacional, as empresas e os trabalhadores, além de formular respostas efetivas ao aumento de tarifas. A equipe econômica trabalha na elaboração de um plano de contingência, com medidas específicas para os setores mais afetados após a retirada de isenções a diversos produtos.
Há ainda, dentro do governo, a avaliação de que a família Bolsonaro deve se afastar do debate público sobre o tema, para evitar ruídos e facilitar o avanço das negociações econômicas com os norte-americanos.
Embora não haja previsão de pronunciamento oficial de Lula sobre o tema neste final de semana, o assunto pode ser abordado durante um evento do Partido dos Trabalhadores, marcado para este domingo, 3.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, considerou positiva a sinalização de Trump e anunciou uma reunião com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prevista para a próxima semana. “Eu acho ótimo. E a recíproca é verdadeira: o presidente Lula também está disposto a atender um telefonema, quando for o caso”, afirmou Haddad.
Na conversa com Bessent, o ministro pretende ainda tratar da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, discutindo inclusive a abrangência da medida.
Fonte: Portal Peperi
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