Até a quarta-feira, 14, os casos de virose gastrointestinal em Florianópolis já chegaram a 1.945, segundo dados fornecidos ao NSC Total pela Secretaria Municipal de Saúde. O número das últimas duas semanas, inclusive, já supera o registrado em todo o mês de dezembro na capital catarinense: no período, foram 1.856 atendimentos pela doença feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 2025, a capital catarinense também registrou um pico de casos de virose em janeiro. Naquele mês, foram 7.222 pessoas contaminadas. No mês anterior, haviam sido 2.239.
A prefeitura reforça que os números são referentes somente ao sistema de saúde municipal, uma vez que o órgão não tem acesso aos dados da rede particular.
A virose gastrointestinal é causada, principalmente, pelos vírus norovírus e rotavírus, transmitidos por água ou alimentos contaminados, falta de higiene ou contato com infectados, de acordo com a médica infectologista Priscilla Moreira, da Hapvida. A contaminação gera inflamação do estômago e intestino, o que provoca sintomas como diarreia, vômito, cólicas e febre.
A médica, que atua em Joinville, no Norte de Santa Catarina, contou ao NSC Total que vem atendendo com frequência famílias inteiras que são acometidas pelo vírus sequencialmente — um membro adoece e, em 24 a 48 horas, outros familiares apresentam os mesmos sintomas.
— Isso ilustra bem a alta contagiosidade dessas viroses. Também observo pacientes adultos saudáveis que relatam quadros mais intensos do que esperavam: vômitos incoercíveis nas primeiras horas, impossibilidade de ingerir líquidos e necessidade de hidratação venosa em pronto-atendimento — relata.
Foi exatamente o que ocorreu com Marlene Maria Dias, de 64 anos, e a família. A moradora do bairro Rio Vermelho, na região Norte de Florianópolis, começou a passar mal em função de uma virose na segunda-feira, 12, junto da neta, de 19 anos, que mora com ela. O marido, de 53 anos e residente da mesma casa, já tinha passado mal no domingo (11).
— Fomos na casa do tio do meu marido no domingo e, chegando lá, ele disse para não nos aproximarmos muito, porque já tinham duas meninas da casa passando mal, com vômito e diarreia — conta.
A família do marido, que mora no bairro Sambaqui, também no Norte da Capital, tinha ido na casa de outros parentes que estavam infectados no bairro Rio Tavares, no sábado (10). No mesmo dia, as duas meninas começaram a passar mal.
Quando o marido, a neta e Marlene foram embora da casa deles, no domingo à noite, o homem já começou a passar mal ao chegar em casa. Na segunda-feira, foi a vez dela e da neta.
— É horrível. Vômito, diarreia, dor forte na barriga, aquele mal-estar… Lá na casa da família do meu marido, um melhorou, outro “caiu”, e assim foi. Todos pegaram, desde as criancinhas de dois anos até os idosos de 80, os jovens de 28…. Foram umas 10 pessoas — relata ela.
Segundo a médica infectologista Priscilla Moreira, o perigo maior é justamente para as crianças e para os idosos.
— O que mais me preocupa são os extremos de idade: crianças pequenas e idosos que desidratam rapidamente e podem precisar de internação — pontua.
Fonte: Portal Peperi
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