Santa Catarina registrou, em 2024, o maior número de casos de coqueluche nos últimos 10 anos. De acordo com dados da Secretaria da Saúde (SES), foram 263 confirmados e três mortes de recém-nascidos, entre um e dois meses de idade, no último ano. Os números acendem alerta para a vacinação, a melhor forma de prevenção, contra a doença conhecida como “tosse comprida”.
A coqueluche é uma doença infecciosa, causada pela bactéria Bordetella pertussis, que afeta as vias respiratórias e causa crises de tosse seca e falta de ar. A doença é altamente transmissível e o contaminado pode infectar outras pessoas através de gotículas da tosse, espirros ou mesmo ao falar.
Em Santa Catarina, os casos decaíram de 2017 a 2021. Em 2017, eram 120, passando para 71 em 2018, 31 em 2019, oito em 2020 e quatro em 2021. Em 2022, voltou a aumentar para seis, e baixou novamente em 2023, sendo dois. Em 2024, os casos estouraram e chegaram a 263, segundo a SES.
O que explica explosão de casos
Para o médico Fábio Gaudenzi, superintendente de Vigilância em Saúde da SES, o aumento de casos de coqueluche nos últimos anos está atrelado à baixa cobertura vacinal, especialmente em crianças, e à diminuição da imunidade ao longo do tempo, o que pode levar ao aumento de casos em adolescentes e adultos.
— E o diagnóstico tardio e subnotificação em adultos, onde os sintomas podem ser confundidos com outras doenças respiratórias. Todas essas situações contribuem para a disseminação da doença. Esses fatores combinados explicam o aumento dos casos de coqueluche nos últimos anos, tornando a vacinação contínua e a monitoração de surtos uma medida essencial para o controle da doença — fala.
Em nível nacional, Santa Catarina foi o sexto Estado com mais registros de casos. Paraná liderou no Brasil, com 2.423 casos confirmados da coqueluche em 2024, seguido de São Paulo, com 1.329, e Minas Gerais, com 643.
Vacinas contra a coqueluche
A imunização contra a doença pode ser feita ainda na fase do pré-natal, com a vacina datríplice bacteriana (dTpa) que protege contra difteria, tétano e coqueluche. Dessa forma, a mãe é imunizada e também consegue transmitir anticorpos para o bebê até que ele complete o esquema vacinal com a pentavalente. A vacina dTpa atingiu cobertura de 88,37% no ano de 2024.
Após o nascimento, é recomendado que o bebê receba três doses da vacina pentavalente: aos 2 meses, aos 4 e aos 6 meses de idade. O imunizante protege contra difteria, tétano, coqueluche, haemophilus influenzae do tipo b e hepatite B. A cobertura vacinal em 2024 foi de 90,25%.
Ainda, a vacina tríplice bacteriana vem para reforçar a proteção da criança, aplicada aos 15 meses e nos 4 anos de idade. Todos os imunizantes fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) e estão disponíveis nos postos de saúde em Santa Catarina.
Segundo o infectologista Marcos Paulo Guchert, diretor clínico do Hospital Infantil Joana de Gusmão, a coqueluche é uma doença respiratória e o risco de complicação é maior nas crianças pequenas, abaixo de seis meses.
— É muito importante manter uma alta cobertura vacinal de toda a população para evitar que haja circulação da bactéria no nosso meio e, eventualmente, ela atinja essas crianças pequenas que ainda não tiveram a oportunidade de se vacinar — explica.
Fonte: Portal Peperi
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