EUA podem reter 56 mil toneladas da cota de açúcar do Brasil

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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EUA podem reter 56 mil toneladas da cota de açúcar do Brasil

O governo dos Estados Unidos sinalizou que poderá reter e redistribuir cerca de 56 mil toneladas da cota de açúcar destinada ao Brasil caso não receba propostas comerciais consideradas satisfatórias pelo país. A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura americano, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance, realizado no Colorado na última semana.

O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou em 23 de julho as cotas tarifárias para importações de açúcar no ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027.

A cota tradicional do Brasil é de aproximadamente 156 mil toneladas. Até o momento, porém, cerca de 100 mil toneladas foram destinadas ao país, enquanto aproximadamente 56 mil toneladas, equivalentes a 36% do total brasileiro, ainda não foram alocadas.

Caso a exigência americana não seja atendida, esse volume poderá ser redistribuído para outros fornecedores.

Apesar de representar uma parcela pequena das exportações brasileiras, a cota tem importância comercial devido às tarifas reduzidas cobradas na entrada do produto nos Estados Unidos.

Segundo estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deve exportar aproximadamente 35,7 milhões de toneladas de açúcar na safra 2025/26. A cota americana de 156 mil toneladas corresponde a menos de 0,5% desse volume.

Para o açúcar bruto, a tarifa dentro da cota é de aproximadamente 0,66 centavo de dólar por libra, equivalente a cerca de US$ 14,60 por tonelada. Fora da cota, o valor chega a aproximadamente 15,36 centavos por libra, ou US$ 338,60 por tonelada, antes de eventuais tarifas adicionais.

A discussão ocorre em meio à pressão de produtores americanos por maior proteção ao mercado interno. Representantes do setor defendem a revisão das tarifas cobradas sobre o açúcar importado acima das cotas.

Um estudo do Centro de Políticas de Risco Agrícola da Universidade Estadual de Dakota do Norte estimou que o aumento dessas importações provocou mais de US$ 3 bilhões em perdas aos produtores americanos nas duas últimas safras.

As cerca de 56 mil toneladas ainda não destinadas ao Brasil permanecem sem fornecedor definido e poderão ser redistribuídas pelos Estados Unidos.

Fonte: CNN Brasil

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