A violência nas escolas estaduais da coordenadoria regional de São Miguel do Oeste, tem aumentado de forma preocupante nos últimos anos. Desde 2021, já foram registrados 251 casos de violência escolar na região, segundo dados do Núcleo de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola (Nepre).
Em 2021, foram contabilizados 11 casos. No ano seguinte, o número saltou para 55. Em 2023, houve novo aumento, com 76 ocorrências. Só no ano passado, o Nepre registrou 94 casos de violência nas escolas estaduais da região.
Em nível estadual, a situação também chama atenção. Somente em 2024, foram 7.700 ocorrências de violência escolar nas escolas públicas estaduais de Santa Catarina.
O tema foi debatido neste sábado, 12, no programa Peperi Debates, com a presença de especialistas que analisaram as causas e consequências da violência nas escolas. Participaram do programa o psicólogo Evandro Radaeli, do Nepre; o professor e doutorando em Educação, Edinaldo Enoque; e a professora da Unoesc, Janes Köhnlein, que tem dissertação de mestrado sobre agressividade nas escolas.
Para Evandro Radaeli, a situação é alarmante. Ele afirma que os casos mais frequentes envolvem agressões físicas entre estudantes e também de alunos contra professores. Segundo ele, “a escola acaba reproduzindo o que acontece fora dela”, e o problema é estrutural, envolvendo família, sociedade e o ambiente escolar.
O psicólogo explicou que o Nepre atua tanto com as vítimas quanto com os agressores, tentando entender o contexto de cada caso e buscar medidas de prevenção.
Já o professor Edinaldo Enoque destacou que os fatores que levam à violência nas escolas são múltiplos. “É impossível dissociar a escola do contexto social em que ela está inserida”, afirmou. Ele também criticou a falta de diálogo entre escolas e famílias, que só ocorre em situações extremas.
Edinaldo defendeu ainda a aproximação de profissionais da psicologia e da pedagogia com as escolas, e uma maior atuação das universidades no enfrentamento do problema.
A professora Janes Köhnlein ressaltou que muitos comportamentos violentos são naturalizados pela sociedade, e que esse ambiente influencia diretamente os jovens. “A escola ainda é uma instituição de resistência, e precisa de apoio para ir além do ensino”, comentou.
Fonte: Portal Peperi
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