Em SC, 300 pacientes com fibromialgia estão sem tratamento há dois meses

Por Ricardo Orso, São Miguel do Oeste

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Em SC, 300 pacientes com fibromialgia estão sem tratamento há dois meses
Foto: SES, Divulgação

Há quase dois meses, 300 pacientes com fibromialgia de Santa Catarina perderam o acesso a um dos principais centros de referência para tratamento da doença no Estado. O Ambulatório da Dor do Hospital Florianópolis, na Capital, está com os atendimentos suspensos desde o final de julho devido à saída do médico responsável.

A fibromialgia é uma doença crônica não inflamatória que causa dor generalizada no corpo, fadiga, distúrbios do sono e alterações de memória e concentração. A doença envolve um conjunto de sintomas como dor generalizada, alterações do humor e quadro depressivo. Em todo o Estado de Santa Catarina, a estimativa é que 100 mil pessoas convivam com a doença.

A interrupção do serviço em Florianópolis afeta diretamente a vida dos cerca de 300 pacientes, espalhados pelo Estado, que dependem do atendimento público para controlar uma condição crônica e debilitante. Os pacientes tem sofrido com o agravamento dos sintomas.

— Eu não aguento mais as minhas dores, elas estão só aumentando. Eu estou cansada de sofrer. É muita crise de dor. Uma das vezes que eu cheguei no hospital, o médico ficou apavorado do estado que eu estava — relatou Maria Andriana, de Araranguá, à NSC TV.

Alguns pacientes sofrem sem atendimento há mais de dois meses:

— Meu último atendimento foi dia 5 de julho e estamos no aguardo até agora e nada. De noite com dor, ninguém merece. Esse tratamento lá ajuda muito, dá um bom alívio. Não tem cura, mas dá uma melhora de vida bem melhor — disse Salete Aparecida Furtado, de Herval d’Oeste, paciente há 14 anos.

Segundo o médico da dor Breno José Santiago, a fibromialgia faz com que tarefas simples do cotidiano se tornem impossíveis.

— Muitas vezes as pessoas não conseguem nem se levantar da cama pra realizar nenhum tipo de atividade nem realizar questões básicas. Quanto mais tempo passa para fazer o tratamento adequado, mais difícil é você restabelecer a função daquela pessoa e dar uma qualidade de vida — explica o médico.

Resposta das autoridades

Após a suspensão das atividades, o hospital emitiu um informativo aos pacientes afirmando que trabalha junto à Secretaria de Estado da Saúde para assegurar os recursos necessários para a continuidade do serviço. A previsão inicial era de retorno em agosto, que não se concretizou.

A superintendente dos Hospitais Públicos Estaduais de Santa Catarina, Tatiana Bez Batti Titericz, garante que a busca por outro profissional começou assim que o Estado foi informado sobre a saída do médico e diz que além de retornar com o serviço em outubro, a ideia é ampliar o atendimento.

— Nós abrimos um edital de credenciamento para contratação desse médico especialista para dor neuropática e fibromialgia. Então a tendência é que esse serviço já volte no início de outubro. Além de fazer a manutenção do serviço desses pacientes a gente vai ampliar mais o atendimento a esses pacientes — declarou Tatiana.

Viagens de longa distância

A interrupção do serviço na capital escancara outro problema: a distância que os pacientes precisam percorrer. Alguns viajam mais de 500 quilômetros para ter acesso ao tratamento.

Flavia Mesquita, presidente da Associação Nacional de Fibromiálgicos, critica a centralização:

— A fibromialgia é um tratamento contínuo. Não faz sentido as pessoas viajarem a cada seis meses. Os pacientes precisam de uma rede bem estruturada, de ter centros de referência numa cidade próxima — defende.

A superintendente dos Hospitais Estaduais afirma que a ideia é que cada região tenha seu centro especializado, mas isso ainda não tem prazo pra acontecer.

— Fazer com que aquele paciente não saia da sua cidade para ter esse tipo de atendimento. Já é tão sofrido, porque são dores no corpo todo. O objetivo é fazer essa descentralização, a gente conseguir sim esses especialistas e ter um atendimento multidisciplinar em todas as regiões do estado de Santa Catarina — disse Tatiana Bez.

Principais sintomas da fibromialgia

A Fibromialgia atinge principalmente mulheres entre 30 e 50 anos. O diagnóstico, em geral, é demorado e costuma ser clínico, envolvendo descartar outras doenças reumatológicas e neurológicas, como artrite reumatoide ou lúpus.

- Dor generalizada por todo o corpo, que pode variar de intensidade.

- Cansaço mesmo após uma boa noite de sono.

- Distúrbios do sono, como insônia ou sono fragmentado.

- Dores de cabeça frequentes.

- Problemas gastrointestinais, como síndrome do intestino irritável.

- Alterações cognitivas: esquecimentos, lentidão para pensar e se concentrar.

Fonte: Portal Peperi

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